Posts Tagged ‘poesia

12
abr
09

Uma banda nada convencional…

por Raul

Mark Sandman era urbano nato e gostava da cidade à noite.  Já foi taxista notuno em Cambridge, sua cidade natal, além de ter trabalhado num pesqueiro no Alasca. Morou no Rio de Janeiro durante um ano e não tinha residência fixa.

Montou duas bandas de rock simplesmente pelo prazer de tocar e curtir a noite despreocupadamente. Essas bandas foram o Treat Her Right e o Morphine.

Falaremos do Morphine aqui, pois se trata de uma das bandas menos convencionais que já surgiram no cenário do rock, ou do jazz, seja como for.

Mark Sandman ousou tocar um contra-baixo usando apenas as duas cordas mais graves utilizando um slide. Apimentando ainda mais a receita, a banda tinha um saxofone barítono tenor, e bateria.

Essa combinação resultou em uma banda que mesclava rock com jazz, sem usar guitarra, tocando de maneira soturna, musicando poemas inspirados em Kerouac e sua literatura beatnik.

Em 1992, a banda lança seu primeiro disco, o excelente “Good” que chamava atenção pelas idéias inovadoras e os belíssimos poemas de Mark Sandman, que acima de tudo se mostrava um excelente músico.

No segundo disco, o clássico “Cure For Pain”, a banda mostra uma maturidade incrível, criando clássicos instantâneos, como “All Wrong” e “Thursday”. Esse disco marca também a mudança de bateristas na banda, sai Jerome e entra Billy Conway.

No terceiro disco, o inovador “Yes!”, a banda mostra um enstrosamento sensacional. Com certeza o destaque do grupo nesse disco era a sonoridade dos saxes de Dana Colley, que resolve tocar um sax duplo, com as duas mãos e apenas uma boquilha em um dos instrumentos, que era ligado ao outro por um tubo.

O quarto disco da banda, o mediano “Like Swimming” mostra a banda em seu momento menos inspirado, porém a qualidade musical dos integrantes continuava intacta. Talvez pelo fato de não ter conseguido contrato com uma grande gravadora, a banda sentia uma certa pressão do mundo underground.

Aquele que seria o quinto disco do grupo, poderia ser, talvez, o mais ousado e bem arranjado lançamento da banda até então. Mark Sandman trabalhou durante dois anos na criação do álbum, planejando-o cuidadosamente, gravando-o em seu estúdio particular, o Hi-N-Dry. Além dos membros da banda, foram convocados para a gravação do disco: Jane Scarpatoni (cello), Mike Rivard (baixo) e Joseph Keller (violino). Jerome Deupree também foi requisitado, tocando em todas as faixas. Mark tocou vários instrumentos, entre outros, tocou piano, órgão, guitarra acústica e trombone. Mark também toca um contra-baixo tradicional, de quatro cordas,  além de tocar um violão na linda “Rope on Fire”.

Com dois bateristas tocando juntos, somado aos backing vocals femininos presentes nas canções, “The Night” era classificado pela prórpia banda, como um passo a frente e totalmente inovador até então.

Durante um show, no dia 3 de julho, em Palestrina, Itália, Mark fala com o público: “Obrigado Palestrina. É uma linda noite. É ótimo estar aqui e quero dedicar uma canção super-sexy a todos vocês…”

E parou ali. Mark Sandman sofreu um enfarte fulminante, morrendo no palco. Durante o show.

O disco “The Night” foi lançado no ano 2000, e os demais integrantes da banda se envolveram em diversoso projetos musicais, sempre celebrando a música de Mark Sandman. Atualmente eles tocam no Twinemen, que tem como vocalista Laurie Sargent, que sempre foi fã declarada de Mark Sandman.

Deixo aqui uma apresentação ao vivo da banda, gravada entre 1994 e 1995, para a televisão francesa.

14
fev
09

Tempo Para Recordar

por Fáki

Quando a saudade não cabe mais no peito, escorre pelos olhos, e aquilo que transborda é nossa alma caminhando para aonde ela quer voltar. Hoje eu voltei no tempo e parei pra ler os recados que recebi, as fotos e vídeos que restaram, e o que ainda mantenho em minhas memórias. Muito do que foi dito foi realizado, ou caminha-se para isso, como os desejos de que todos fossem bem sucedidos e que a felicidade fosse uma constante em nossas vidas. Muito do que foi prometido não foi cumprido, e entre essas promessas destaco uma, quando me disseram que não seria esquecido. É incrível como dizemos coisas em momentos de tristeza, e como nossas fraquezas ficam tão expostas e vulneráveis quando estamos nos despedindo. Mas é mais incrível ainda quando vemos que todo aquele sentimento foi apagado com o tempo, e justo nós que prometemos nunca nos esquecer mudamos de vida, e o mais importante, de pensamento, prometemos algo que é impossível cumprir. Que temos que crescer isso é um fato, mas ninguém disse que é obrigatório crescer e esquecer quem nos fez chegar até aqui. Com o tempo ganhamos responsabilidades novas, conhecemos outras pessoas, e nos afundamos em compromissos, e às vezes não temos nem tempo pra nós, quem dirá pra resgatar uma lembrança, pra conversar com nossas memórias.

Hoje eu paro com minhas obrigações um instante e penso em quem me fez chegar até aqui. Pode não fazer sentido agora, mas se fosse escrito naquela época faria, e com as mesmas palavras que os fiz chorar de emoção um dia, hoje tento resgatar algum sentimento, algum sinal de vida, e agora me pergunto se quem passa por nós deixa um pouco de si e leva um pouco de nós, e ainda sinto vocês aqui, será que aí vocês ainda sentem algo de mim?  Agora eu só queria saber como fazer com que os dias fiquem mais compridos, e quero, ao mesmo tempo, não parar de pensar em vocês. Queria saber como não chorar ao ouvir uma música, ou como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Confesso, eu sou aquilo que perdi! E ao contrário do que dizem, as recordações não povoam nossa solidão, só fazem-na mais profunda. Só sei que o que eu sinto chama-se “saudade”, amo um passado que ainda não passou, recuso um presente que me machuca, e não quero ver o futuro que me aguarda, um futuro sem vocês.

Terça-Feira, 6 de Janeiro de 2009.




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