Posts Tagged ‘filosofia

13
maio
09

Ser Sentimental: Reflexões para Além do Universo Musical!

“Somos donos de nossos atos,
mas não donos de nossos sentimentos;
Somos culpados pelo que fazemos,
mas não somos culpados pelo que sentimos;
Podemos prometer atos,
mas não podemos prometer sentimentos…
Atos são pássaros engailoados,
sentimentos são passaros em vôo”
Mário Quintana

sentimental

por Iza Prado

Sabe o porquê de existirem poucas pessoas sentimentais no mundo atual?

Segundo o jornalista, filósofo e ensaísta alemão Günther Anders, a resposta é simples e fácil: o mundo passou a ser uma representação que nos é entregue em domicílio. Logo, todos os sentimentos passam a ser descartados, pois não há necessidade de sentir por algo que é só uma representação, apenas uma simples aparência.

Desta forma, quem continua a ser sentimental diante destas representações entregue em domicílio passa a ser considerado um estranho, o diferente, basicamente um dinossauro. E, assim, ou esta pessoa se torna um reprimido – que usa a internet e a ficção para se libertar das amarras sociais – ou, então, aprende a descartar também seus sentimentos para se encaixar nesta sociedade que não sabe mais lidar com as questões sentimentais.

É triste, uma hipótese bem pessimista, mas que, para mim, se torna cada dia mais assertiva e verdadeira conforme entro neste louco universo da comunicação e da filosofia midiática!

Importante ressaltar também o mundo das representações propicia a repetição e a repetição excessiva gera um enfraquecimento do objeto – neste caso em específico, o mundo e as relações sociais. Ou seja, vemos uma repetição de representações e, no fundo, nos contentamos com isto, descartamos sentimentos – como compaixão e piedade – e vivemos satisfeitos com aquilo que nos é entregue e mastigado pelos ambientes comunicacionais.

E eu só fico a me perguntar: será que NÃO é hora de mudar isso? Será que não é o momento de começar a expressar os verdadeiros sentimentos? Será que não precisamos aprender a sentir de novo? Será que não precisamos voltar a usar o corpo para nos comunicar, cortando assim todas as intermediações e aparatos?

Enfim, apenas reflexões de uma pós-graduanda da Comunicação e Semiótica!

22
fev
09

Nietzsche, o filósofo pop

por Fabrício Behrmann

Hello Nietzsche

“Há homens que nascem póstumos”. Com essa frase o filósofo alemão pretendia deixar bem claro que sua obra não era destinada ao seu tempo, mas sim a um tempo futuro. E quem diria: o bigodudo estava certo.

Atualmente uma legião de adolescentes revoltados têm se tornado “seguidores” da filosofia nietzscheana. Isso deve-se ao fato de muitos jovens acabarem se identificando com a obra do autor, sua solidão e seu desprezo pela humanidade. “Não quero ‘crentes’; acredito que sou demasiado mau para crer em mim mesmo; eu nunca falo às massas… Tenho grande medo de ser, algum dia, santificado”. Nietzsche deve estar se revirando no caixão a essa altura. Realmente o autor não foi santificado, mas de alguma forma o carrancudo filósofo se tornou praticamente um ícone da cultura pop.

Em sua autobiografia – Ecce Homo – o filósofo escreveu: “desse modo compreenderão por que eu publico antes esse livro: deve ele evitar que se abuse do meu nome”. Na verdade o que temos visto ultimamente é bem o contrário do que pretendia o autor. Em diversas produções hollywoodianas figuram citações ou menções ao nome do filósofo: em Gênio Indomável (1997), Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (2004) e A Casa do Lago (2006).

Mas dentre todas as participações de Nietzsche no cinema, sem dúvida a melhor está em Pequena Miss Sunshine (2006). O filme é uma comédia com elementos de drama – considerado um road movie –, mas de certa forma contém uma crítica contundente e bem-humorada com relação ao “modismo” da filosofia nietzscheana. Em Pequena Miss Sunshine o talentoso Paul Dano (de Sangue Negro) interpreta Dwayne, um garoto que sonha entrar para a aeronáutica e ser piloto de aviões. O jovem também é um “seguidor” do filósofo alemão, tem inclusive uma grande bandeira com o rosto de Nietzsche em seu quarto e aparece em várias cenas usando uma camiseta com a frase: Jesus was wrong. Dwayne fez voto de silêncio até que consiga realizar seu objetivo e comunica-se com sua família apenas através de um pequeno bloco de notas que carrega consigo. Em certo ponto do filme Dwayne escreve para seu tio homossexual: I Hate Everyone. O personagem de Paul Dano é sem dúvida um retrato bem satirizado dos atuais admiradores juvenis de Nietzsche.

Além das menções hollywoodianas, o filósofo tornou-se sinônimo de grande possibilidade de lucro. O nome de Nietzsche figura em várias capas de revistas especializadas em Filosofia, como a Discutindo Filosofia e a Ciência & Vida Filosofia. O bigodudo foi até capa da edição n° 19 desta última, sendo reproduzido em forma de charge.

Nietzsche fez uma ponta até no mundo dos games. Os capítulos da famigerada trilogia de RPGs da Namco, Xenosaga, ganharam nomes que nos remetem imediatamente ao filósofo. Episode I: Der Wille zur Macht (A Vontade de Potência), Episode II: Jenseits von Gut und Bose (Além do Bem e do Mal) e Episode III: Also Sprach Zarathustra (Assim Falou Zaratustra). Ao menos, o jogo é considerado por muitos um dos mais filosóficos já feitos.

E as menções ao famoso alemão em produtos da indústria cultural da Terra do Sol Nascente não terminam por aí. O animê shonen-ai (gênero que retrata relações românticas entre homens) Loveless faz referência a filosofia nietzscheana. O personagem principal do animê em questão – Ritsuka, um garoto de 12 anos – é um admirador do bigodudo.

Outra aparição inusitada de Nietzsche é no famoso vídeo Dance Monkeys Dance de Ernest Cline. A montagem traz uma reflexão muito interessante sobre a condição humana. E também sobre o modismo com que vem sendo tratada a filosofia nietzscheana.

Vale lembrar que o filósofo alemão apareceu como personagem central do romance Quando Nietzsche Chorou (1992), de Irvin D. Yalom. O livro rapidamente se tornou um best-seller e em 2007 rendeu um filme de qualidade duvidosa, pra dizer o mínimo. É possível que o sucesso do romance tenha desencadeado toda essa superexposição. Todos os livros de Yalom, em suas versões nacionais, contêm em sua capa a atraente propaganda: “Do mesmo autor de Quando Nietzsche Chorou”.

Segundo o post sobre o Marilyn Manson (dia 20 de fevereiro) – da nossa companheira Iza Prado – até mesmo o excêntrico cantor se interessa pelo bigodudo! E como se tudo isso não bastasse, agora o nome de Nietzsche figura no título de um post no Blog do Mercúrio Cromo… “Agora vos mando que me percais e vos encontreis a vós mesmos; e só quando todos me houverdes renegado, tornarei para vós”, Assim Falou Zaratustra.




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