Posts Tagged ‘comportamento

04
nov
09

Wu-Tang Clan e o mundo das Artes Marciais

por Raul

O que hip-hop e artes marciais têm em comum? Aparentemente nada, não é mesmo? Pois é aí que você se engana…

Wu-Tang-Clan é um grupo de rap formado em 1993, na cidade de Nova Yorque. Seus fundadores foram Ol’ Dirty Bastard, GZA e RZA.

O nome do grupo é uma referência à cultura oriental e suas artes marciais.

“Wu-Tang” é proveniente da montanha Wu Dang (Wudang Shan) no noroeste da província de Hubei, no centro da China, com uma longa história associada ao taoísmo, artes marciais e medicina.

Outra possível razão para o nome do grupo é um filme originário de Hong Kong: SHAO LIN YU WU DANG, de 1981.

É sobre o primeiro disco do grupo que trataremos a seguir, um disco que revolucionou o modo de pensar e fazer hip-hop.

O primeiro disco do grupo se chama “Enter the Wu-Tang (36 Chambers)”, e foi lançado em novembro de 1993. Nunca o tema “artes marciais” tinha sido tão explorado na música pop, e para entender o conceito do disco, é preciso repassar o básico de história das artes marciais:

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Existem diferentes tipos de artes marcias no estilo Kung Fu, e o primeiro tipo é um movimento composto, que consiste em uma série de ações segundo os modelos regulares de ataque e de defesa. Os combates e ataques geralmente são programados, e os movimentos todos interligados. Este tipo de arte marcial é a base da prática da arte marcial chinesa.

Além desse tipo, existem artes marciais com armas. As amas podem ser facas, espadas, paus, cacetes, etc, e ao longo dos tempos, as espadas passaram a ser cada vez mais utilizadas. A espada mais difícil de manusear é a Wu-Tang, e um lutador que consegue dominar a técnica da Wu-Tang é considerado invencível.

Cada nível de estágio no aprendizado das artes marciais é chamado de Chamber, e a cada Chamber ultrapassado, o aprendiz fica mais próximo da invencibilidade e da perfeição, além de ter um de seus dentes normais substituído por um dente de ouro.

O Lutador que se torna mestre na espada Wu-Tang, terá passado por 36 Chambers, se tornando assim, invencível. No estágio de “invencível”, os mestres recebem uma aplicação de platina em seus dentes de ouro frontais.

Disso tudo veio o conceito e o nome do primeiro disco do Wu-Tang Clan, revolucionando não só o hip-hop, mas toda uma cultura em torno do movimento.

O nome do grupo virou uma espécie de congregação, que passou a envolver centenas de pessoas, abrangendo marcas de roupas, tênis, games, livros e quadrinhos.

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RZA, membro fundador do grupo, é um cara altamente envolvido com cinema. Ele produziu a trilhas sonoras de: Ghost Dog (do diretor Jim Jarmusch), e Kill Bill (do mestre Quentin Tarantino).

Deixo aqui uma cena do filme “Sobre café e cigarros” (do diretor Jim Jarmmusch) em que RZA e GZA dialogam com ninguém mais ninguém menos que Bill Burray.

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14
mar
09

Eu odeio quem conta a vida pelo Orkut

por Renata de Sá

A brincadeira foi proposital devido ao fenômeno que esse site de relacionamento se transformou. É impressionante o quanto a realidade virtual tomou o lugar das relações pessoais, que nem mesmo o second life conseguiu alcançar.

Os internautas usam essa importante ferramenta de comunicação – não estou questionando aqui se ela é boa ou ruim – para expor seus problemas, compartilhar momentos de alegria, dividir sentimentos com o restante dos amigos de comunidade, atualizando, quase que diariamente, os movimentos de suas vidas.

Uma teoria muito usada em comunicação é sobre o verdadeiro significado “dos 15 minutos de fama”. Todos, sem nenhuma exceção, segundo a teoria, necessitam dessa super exposição, na qual, a platéia, no caso, todos os amigos de Orkut, são capazes, diga-se de passagem, sem muito esforço, saber o que cada um está fazendo.

E pra isso, usam as mais variadas ferramentas disponíveis no acervo. Atualizações constantes de perfil – como se alguém deixasse de ser ela mesma da noite para o dia -, postagem de fotos constantemente – tá, nem todo mundo está feliz todos os dias, mas as fotos teimam em dizer o contrário -, e diversão compartilhada via BuddyPoke – agora você pode até brincar com outra pessoa, fazendo um carinho, ou até mandando beijinhos para ela.

O interessante é que para as pessoas que fazem isso, parece que suas vidas estão interligadas com o Orkut e com a necessidade de abastecimento constante de novidades. E na verdade não estão. Ao contrário do Orkut, os usuários não estão ligados na tomada e podem perfeitamente fazer um programa bacana, sem ter que anunciar aos quatro cantos o que aconteceu e o quanto vocês estava feliz naquele dia.

05
mar
09

Amigo dá barato!

texto publicado originalmente na revista Gloss.
a sugestão é da Iza Prado.

amizade
Cada vez mais importantes na escala de prioridades das brasileiras, as amizades provocam no corpo o natural high, uma descarga de substâncias que dão a mesma doideira que as drogas.

O escritor Nelson Rodrigues proclamou, admiradíssimo: “Amigo é o maior acontecimento!”. Comuns desde o início da palavra escrita, odes à amizade desse tipo encontram respaldo cada vez maior nas estatísticas – e são cada vez mais comuns no comportamento feminino. Pesquisa Ibope feita a pedido da editora Abril esquadrinhou as preferências de 1,6 mil mulheres entre 18 e 48 anos espalhadas por sete capitais – e mostrou números que podem causar assombro em quem acredita que o excesso de laços de amizade pode empobrecer a individualidade.

O levantamento mostra, por exemplo, que para mulheres da classe AA, “ter amigos” está em segundo lugar em uma escala de quatorze prioridades para viver bem, abaixo apenas do item “ter saúde”. E é mais importante do que coisas como “estabilidade financeira”, “relacionamento amoroso”, “um bom emprego”, “tempo para a família” e até “sentir-se feliz”. Entre as mulheres da classe AB, manter uma rede de companheirismo é igualmente importante. Para essa camada social, amigos ficam em quinto lugar na escala – e ganham de itens como “ter saúde”, “segurança contra a violência” ou mesmo “uma vida sexual boa”.

A pesquisa transformou em números um fenômeno evidente nos últimos anos: com os novos tipos de famílias, os amigos vão ganhando terreno. “Na formação tradicional, as relações familiares tinham um peso maior. Mas isso mudou, pessoas do mesmo sangue se encontram menos e a amizade ocupou esse espaço”, explica a psicanalista Magdalena Ramos, coordenadora do Núcleo de Casal e Família da PUC-SP e autora do livro Introdução à Terapia Familiar.

O ritmo de vida, dizem os especialistas, também coloca as amizades em alta. “Muita gente muda de cidade em busca de diploma e emprego”, lembra a historiadora Mary Del Priore, autora de História das Mulheres no Brasil. “Essa nova configuração explica a distância da família e sua substituição pelas amizades”, completa ela.

QUÍMICA CEREBRAL

Explicadas do ponto de vista sociológico, as boas amizades são capazes de provocar também um fliperama cerebral que ativa drogas produzidas pelo próprio corpo. É o que os cientistas chamam de natural high. Ou seja: bons amigos dão barato, provocam uma doideira natural.

Ficar ao lado da sua turma libera substâncias como a dopamina, neurotransmissor produzido em uma região do cérebro chamada “circuito do prazer” e que provoca uma sensação boa, de “quero mais”. Dar boas risadas com as suas amigonas sacoleja a química cerebral e joga endorfina no sangue. Assim, os músculos faciais se contraem e provocam uma sensação generalizada de relaxamento corporal.

Manter-se por perto de pessoas com quem se tem afinidades ativa substâncias relacionadas ao comportamento social, como a ocitocina. “Ela leva a uma diminuição do nível de estresse e agressividade. Isso aumenta a formação de parceiros e facilita as conexões sociais. Por isso os estressados têm mais dificuldade de contato social”, diz o neurologista Roger Taussig, do Hospital Beneficência Portuguesa.

E ouvir algo que alguém com ascendência sobre você está falando faz com que sua rede de neurônios fique em alerta. “E mais substâncias vão sendo liberadas e mais áreas estimuladas”, explica Saul Cypel, neurologista do Hospital Albert Einstein.

Antes de chegar ao cérebro com suas altas doses de bem-estar, as amizades precisam passar por uma gincana psicológica. “Elas nascem dos interesses em comum, da identidade, dos princípios, daquilo que você gosta e deixa de gostar – até que se provem pela confiança”, afirma Thiago Almeida, psicólogo e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP). Trata-se da sensação típica que paira sobre grupos que desenvolveram elos com base em provas de amor e apoio em momentos difíceis.

EMPATIA

Amigas da faculdade de relações públicas da USP, Fernanda Velino, Júlia Duarte, Bruna Hodas – as três com 23 anos –, Denise Souza, 24, e Camila Kise, 22, colecionam histórias do gênero. Denise, por exemplo, encontrou na turma um suporte que faltou na família. Ela dava aulas de música, mas entrou no curso de relações públicas por pressão dos pais, que queriam vê-la em uma carreira segura. “Acumulei tarefas, entrei em depressão”, conta ela. As amigas se dividiram para assumir os trabalhos do curso e mergulharam em baterias de conversas. “Para elas, ser diferente era um ponto positivo”, diz Denise. Recuperada, por obra da rede de afeto das amigas, Denise hoje dá aulas de inglês e está de casamento marcado.

Sentir-se mal e correr para socorrer um amigo explica-se pelo sentimento que a medicina chama de empatia, uma espécie de sintonia entre os cérebros. “Todo momento difícil de alguém querido é representado dentro de um sistema de percepção que envolve nossas próprias perdas e frustrações”, explica Edson Amaro, professor de neurologia da USP.

“No caso das pessoas queridas, a dor do outro mobiliza a nossa dor. Assim como as alegrias”, completa o psicólogo Thiago Almeida. É por isso que Aristóteles definia o aditivo natural que são os bons amigos assim: “A amizade é uma alma em dois corpos”.

Para ver

Thelma & Louise (1991)
Diretor: Ridley Scott

… E Sua Mãe Também (2001)
Diretor: Alfonso Cuarón

24
fev
09

De volta do Paraíso

por Renata de Sá

Tempo de carnaval é sempre uma festa. Aqui para os paulistas, é só mais um feriado, no qual, todos, ou pelo menos, grande parte da população, irá enfrentar algumas horas (diga-se de passagem….. muitas horas) no trânsito, para conseguir chegar ao litoral.

A cidade de São Paulo não está nem tão cheia, mas nem tão vazia. Digo na média para uma terça-feira qualquer. Na rua, pouco ou nenhum resquício da folia carnavalesca é avistada. A não ser pelos clubes de bairros que organizam os tradicionais bailes de carnaval.

Acabei de voltar do Rio de Janeiro – terra do samba e do carnaval. Para os cariocas o carnaval não é apenas um feriado, mas sim um acontecimento. Nos quatro cantos da cidade, em qualquer esquina, podiam-se encontrar grupos de pessoas fantasiados. Eles tomaram conta da cidade, dos metrôs, das linhas de ônibus, dos táxis – no RJ é muito barato – e também das praias.

Eu que não estava nem mascarada, nem fantasiada e muito menos correndo atrás de um bloco de rua, podia ser considerada quase um ET. Presenciei um momento único no RJ. Na fila para pegar o metrô na superfície – sim, sim… eles têm isso – encontramos diversos grupos, cada um no seu estilo de fantasia, esperando para subir a bordo do ônibus-metrô. Ao final do embarque, o metrô estava tomado por marchinhas resgatadas de um passado não muito distante, mas que ainda é capaz de fazer, até mesmo, a ET paulistana entrar no ritmo.

Para não perder nada gravamos a movimentação e toda diversão de um lugar que pode ser considerado o paraíso na terra.

16
fev
09

O Dilema do Pirata…

por Raul

A pirataria na internet não representa uma derrocada do capitalismo, mas sua salvação. É uma afirmação que no mínimo soa estranho, basta ver a guerra que alguns cantores/bandas e gravadoras travam contra os milhares de programas e usuários que compartilham mp3 na internet.

Não falta pouco para que talvez essa idéia se concretize de fato na nossa realidade, basta apenas que os grandes empresários da música se adaptem aos novos métodos trazidos pelos piratas e passem a competir diretamente com eles no mercado, em vez de combatê-los nos tribunais.

Essa tese é do jornalista Matt Mason, publicada em seu livro “The Pirate’s Dilemma: How Youth Culture Is Reinventing Capitalism” (o dilema dos piratas: como a cultura jovem está reinventando o capitalismo), recém-lançado nos EUA e na Europa.

“O livro trata das dores do crescimento da era da informação, de como estamos passando de um modelo econômico baseado na escassez para outro, de abundância”, disse Mason, em entrevista à Folha de São Paulo.

“O modo como os jovens se rebelam está mudando. Antes, era com novos tipos de música, como o punk, e hoje é com novos modelos de negócio, com novas redes sociais.”, continua o autor.

O livro tem sido muito bem recebido pela crítica especializada e está disponível para download gratuito em thepiratesdilemma.com

Também há uma palestra do autor, no Google Video…

O livro chamou ainda a atenção de ninguém mais que Jesse Alexander (produtor de “Heroes” e “Lost”), que quer transformar a obra em uma série de TV.

Eis o video de apresentação:

Dá pra filosofar muito em cima de tudo isso que vemos no vídeo, e ficamos a perceber de que modo é que a história dos Estados Unidos (aquela nação, a mais rica do mundo) se encontra indiscutivelmente ligada à pirataria. No vídeo, Mason alerta-nos também para a necessidade das empresas, políticos e juízes se adaptarem à pirataria em vez de continuarem a resistir a ela, uma vez que esta poderá muito bem ser o modelo de negócio do século XXI. Capitalismo moderno!

No livro, Mason cita “visionários” que foram considerados “piratas”, como Thomas Edison. “Quando ele inventou o fonógrafo, os músicos, que ganhavam a vida tocando ao vivo, o viram como um ‘pirata’, porque achavam que aquela invenção os tiraria do negócio.”

Ele também mostra como a indústria hollywoodiana (com fama de ser habitualmente feroz contra o download) deve sua origem ao mesmo tipo de pirataria que hoje tenta coibir, pois fugiu para a costa oeste dos EUA para não pagar royalties das câmeras de filmagem. Ironia do destino?? Vale a pena ler o livro, que ainda não tem previsão de lançamento no Brasil, então, só em inglês por enquanto.

14
fev
09

Tempo Para Recordar

por Fáki

Quando a saudade não cabe mais no peito, escorre pelos olhos, e aquilo que transborda é nossa alma caminhando para aonde ela quer voltar. Hoje eu voltei no tempo e parei pra ler os recados que recebi, as fotos e vídeos que restaram, e o que ainda mantenho em minhas memórias. Muito do que foi dito foi realizado, ou caminha-se para isso, como os desejos de que todos fossem bem sucedidos e que a felicidade fosse uma constante em nossas vidas. Muito do que foi prometido não foi cumprido, e entre essas promessas destaco uma, quando me disseram que não seria esquecido. É incrível como dizemos coisas em momentos de tristeza, e como nossas fraquezas ficam tão expostas e vulneráveis quando estamos nos despedindo. Mas é mais incrível ainda quando vemos que todo aquele sentimento foi apagado com o tempo, e justo nós que prometemos nunca nos esquecer mudamos de vida, e o mais importante, de pensamento, prometemos algo que é impossível cumprir. Que temos que crescer isso é um fato, mas ninguém disse que é obrigatório crescer e esquecer quem nos fez chegar até aqui. Com o tempo ganhamos responsabilidades novas, conhecemos outras pessoas, e nos afundamos em compromissos, e às vezes não temos nem tempo pra nós, quem dirá pra resgatar uma lembrança, pra conversar com nossas memórias.

Hoje eu paro com minhas obrigações um instante e penso em quem me fez chegar até aqui. Pode não fazer sentido agora, mas se fosse escrito naquela época faria, e com as mesmas palavras que os fiz chorar de emoção um dia, hoje tento resgatar algum sentimento, algum sinal de vida, e agora me pergunto se quem passa por nós deixa um pouco de si e leva um pouco de nós, e ainda sinto vocês aqui, será que aí vocês ainda sentem algo de mim?  Agora eu só queria saber como fazer com que os dias fiquem mais compridos, e quero, ao mesmo tempo, não parar de pensar em vocês. Queria saber como não chorar ao ouvir uma música, ou como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Confesso, eu sou aquilo que perdi! E ao contrário do que dizem, as recordações não povoam nossa solidão, só fazem-na mais profunda. Só sei que o que eu sinto chama-se “saudade”, amo um passado que ainda não passou, recuso um presente que me machuca, e não quero ver o futuro que me aguarda, um futuro sem vocês.

Terça-Feira, 6 de Janeiro de 2009.

12
fev
09

Cinquenta anos depois, o Brasil ainda precisa da bossa-nova?

por Raul

Cinquenta anos de bossa-nova… já faz muito tempo que o estilo musical criado pela alta sociedade carioca vem insistindo em continuar vivo, e o pior de tudo, em auto-proclamar-se representante do Brasil mundo afora, talvez junto com o tropicalismo…

Eu sempre defendi muito os movimentos artísticos populares, mas é preciso enfatizar que a bossa-nova nunca foi popular, sempre foi um produto intelectualizado pela alta sociedade brasileira, cuja intenção nunca foi mostrar o que eles estavam sentindo, mas sim mostrar os malditos acordes que eles usavam, a preocupação com as melodias vocais.

Outra das principais características da bossa nova é não suar. Imagine um músico que vai se esforçar para não suar, ter que tomar soro e vento fresco.

A música popular antes da bossa-nova foi uma época de ouro na nossa cultura, artistas como Ismael Silva, Noel Rosa, Elizeth Cardoso, Jacob do Bandolim, vários nomes que são importantíssimos na nossa história.

Detalhe que com a chegada da bossa-nova, e mais tarde do tropicalismo, a classe média brasileira acabou com tudo isso, samba virou música para os brancos da classe média, todos embevencidos pela pobreza, com uísque na mão falando que a favela é bonita, a mulata é linda, a umbanda é o que há. Nada mais hipócrita.

Dessa época, destaco Tom Jobim, que foi um grande compositor, mas ouvindo os artistas que serviram de inspiração para o músico (como por exemplo Debussy e Gershwin), vemos que eles não tem aquela auto-piedade embutida, tão característica da música brasileira, eles tem atitude pró-ativa, coisa que a bossa-nova definitivamente não tem.

E hoje, cinquenta anos depois da bossa-nova, vemos uma onda retrô surgindo, jovens escutando bossa com música eletrônica, idolatrando João Gilberto, como se ele fosse algo progressivo na nossa história, não há como negar que o cara toca violão muito bem, mas o próprio João Gilberto faz questão de se considerar inatingível, dizendo que jamais irão conseguir fazer o que ele fez, então pra quê ficar empatando as coisas? Morre e vira um Mito logo!

A mpb hoje é decadente por causa desse tipo de pensamento, a nova geração da música brasileira nada mais é do que uma sombra do que foi a outra, não tem revolução, não tem rebeldia. É o filho do fulano, é o filho do beltrano, uma espécie de capitania hereditária musical. E todos com ares de salvadores da cultura nacional, o que é o grande retrocesso.

São todos uns testemunhas de jeová, atendendo às expectativas, seguindo a cartilha e ficando nisso. Ninguém caiu na real de que é preciso trair a expectativa para crescer. Ficando nessa de público universitário, intelectual, alta sociedade, tão fudidos, porque não proporcionam nada realmente novo.

Quando insisto em citar Sepultura, Cansei de Ser Sexy e outros nomes da música brasileira, vale lembrar que não são comparações estéticas, faço isso pra mostrar o que é falso e o que é verdadeiro.

Carmen Miranda até hoje é um ícone brasileiro no exterior, mas era fake, coisa totalmente fabricada pelos estadunidenses, para que o Brasil tivesse outro tipo de imagem enquanto o couro comia já solto por aqui.

Uso esses exemplos porque são artistas que se propuseram a trair a expectativa e meter a cara num som que não é lá muito comum por aqui, se fazem um som voltado pro mercado lá fora consumir, aí já é outra discussão.

Como diria Lobão, essa casta da música popular brasileira, bossa-novista, tropicalista, todos precisam de paudurescência para mudar algo, pois não passam de uns bundões.

angeli_bossa-nova




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