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26
abr
09

Labirinto – A Magia do Tempo

“You remind me of the babe.
(What babe?)
The babe with the power.
(What power?)
The Power of voodoo.
(Who do?)
You do.
(Do what?)
Remind me of the babe”
(Magic Dance – David Bowie)

090426_poster_labirinto

por Iza Prado

Uma menina com uma grande imaginação, um bebê e… David Bowie! Labirinto – A Magia do Tempo é um dos clássicos filmes para meninas e meninos que sonham com monstros, duendes e castelos fantásticos, ou que gostam de uma boa música… Afinal, a trilha sonora fez tanto sucesso quanto o filme e continua sendo muito boa!

Sarah é uma garota sonhadora, que vive entediada em sua vida normal, tendo que aturar a madrasta, o irmão mais novo e todas as coisas chatas e comuns que ela tem que fazer todos os dias. Por isso, ela se refugia em sua imaginação.

Um dia, cansada dos choros do menino, ela resolve seguir a dica de um de seus livros preferidos: “Labirinto”. Pede aos duendes que levem seu irmão para longe, bem longe. Mas é claro que ela não esperava que desse certo.

A campainha toca e é Jareth (David Bowie), o rei dos duendes, que leva o menino para o seu reino. Para salvar o irmão, Sarah precisa chegar ao castelo de Jareth, que fica no meio de um labirinto, e para isso vai enfrentar vários obstáculos, que envolvem seres fantásticos: duendes, fadas, guardas de portas que falam por meio de charadas.

No meio disto tudo, a trama se complica ainda mais: a jovem descobre que o duende charmoso está apaixonado por ela e que só criou a situação para chamar sua atenção. Logo, Sarah precisa salvar seu irmão, se livrar de Jareth e ainda aprender a lidar com todas as loucuras deste universo mágico.

Vale à pena conferir… É uma produção cinematográfica repleta de efeitos especiais e, principalmente, muita imaginação que traz de volta a crença num mundo de mágica e a crença em histórias fantásticas. E, sinceramente, é um filme que faz qualquer menina sonhar em ser princesa, de novo… Mesmo que o príncipe seja ninguém menos que David Bowie!

Atuação Principal

O cantor-ator-diretor-produtor (sim, ele já fez um pouco de tudo!) David Bowie está perfeito como Jareth, o rei dos duendes. Um verdadeiro pop-star! Ele canta em várias seqüências, interpreta como ninguém e tem o jeito lânguido e sinistro que seria de se esperar de um rei fantástico, além da cabeleira muito, muito 80, muito Bowie.

Mas por incrível que pareça, ele não foi a primeira opção do diretor para o papel: na fila estavam Sting e Michael Jackson. Sorte que o escolhido foi o camaleão do rock: bom para o filme e ótimo para a trilha sonora.

Decepção

O filme veio dentro do grupo do gênero fantasia, que foi moda no fim dos anos oitenta. Uma aposta feita e amargada por vários executivos, que tiveram que engolir esta decepção de bilheteria. Um desapontamento que atingiu, neste caso, George Lucas, que como produtor executivo de Labirinto preferiu não divulgar o valor gasto com o filme, ao saber que o mesmo tinha arrecadado apenas US$12.729.917,00.

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“Everything I've done, I've done for you. I move the stars for no one”

23
fev
09

Todo o encanto de Os Sonhadores

por Iza Prado

Os Sonhadores - Pôster
Paris em maio de 1968. É esse tumultuado cenário político que o cineasta Bernardo Bertolucci utiliza como pano de fundo para Os Sonhadores (The Dreamers, 2003). O filme conta, sem pudor algum, a história de três jovens que se vêem atraídos por uma única paixão: o cinema.

Baseado no livro homônimo de Gilbert Adair que assina o roteiro, Matthew (Michael Pitt) é um estudante americano, em um programa de intercâmbio em Paris. Apaixonado por cinema, ele freqüenta assiduamente a Cinemateca Francesa. Mas essa é a época que explodem revoltas estudantis por toda a Europa. Um dia, ao retornar à Cinemateca, ele encontra uma manifestação no local. É nessa situação que ele conhece os irmãos gêmeos Isabelle (Eva Green) – uma garota com falsa inocência, sedutora, mas ainda assim frágil – e Théo (Louis Garrel) – um jovem idealista misterioso, com ar ameaçador. Os três, por nutrirem uma mesma paixão, acabam se aproximando rapidamente.

Dessa maneira, os três se envolvem mais profundamente justamente pelo cinema, conteúdo de seus jogos de adivinhação, e formam um triângulo amoroso. Essa relação funciona como uma metáfora, para Bertolucci, discutir as influências das mudanças e a dualidade entre a necessidade versus a vontade de crescer. Afinal, os personagens precisam encarar suas próprias crenças e isso não só os definirá, como determinará o mundo à sua volta.

O sexo também ocupa lugar central na trama. A exploração do nu e as cenas que remetem às relações sexuais, inicialmente, podem chocar, mas exprimem um realismo sem tabu. A sexualidade surge como se fosse uma brincadeira de criança, sem maldade ou perversão, evolução natural dos jogos infantis, bombardeados de hormônios em ebulição. E todos agem como se estivessem interpretando, na tentativa de alcançar a atitude de seus ídolos.

Com todos esses elementos, o diretor criou um filme poético, sem pressa de chegar a algum lugar e sem a preocupação de contar uma história redonda, apenas extraindo imagens de uma beleza hipnótica. Os enquadramentos são coloridos e criativos e a montagem é inteira dinâmica. Esse ritmo da história até pode incomodar a alguns, principalmente quando se aproxima o final. Às vezes, fica a impressão que Bertolucci não sabe o que fazer com tanta coisa junta no mesmo filme, mas o diretor não decepciona.

Os Sonhadores pode ser considerado como um sonho quase perfeito que transporta o espectador para uma outra época, em um tempo distante, quase perdido. É a Paris de 1968 vista de dentro de um quarto – com as janelas fechadas e o som ligado – através dos olhos, pés, seios, coxas, membros e bocas de três jovens belos e inocentes que consomem mais vinho do que água.

É um filme estiloso, nostálgico, sensual e imperdível.

Os Sonhadores

“As we walked, we talked and talked and talked about politics, about movies, and about why the French could never come close to producing a good rock band”

17
fev
09

Haverá Sangue… Sangue Negro!

por Fabrício Behrmann

Sangue Negro - pôster
Quando algum filme estrangeiro aterrissa nas terras tupiniquins geralmente já entra com o pé esquerdo, a começar pela já tradicional péssima adaptação de título. Mas felizmente parece que o ator – duas vezes vencedor do Oscar – Daniel Day-Lewis (de Gangues de Nova York) é imune a superstições referentes a pés esquerdos. Pode-se afirmar categoricamente que o título adaptado de There Will Be Blood (Sangue Negro) se encaixa perfeitamente. Não poderia haver uma metáfora melhor para expressar o que se passa durante os 158 minutos da película.

Já faz mais de um ano que Sangue Negro estreou nos cinemas nacionais (dia 15 de fevereiro de 2008) e na segunda metade do ano passado pudemos contar com a versão em DVD do filme disponível nas locadoras. Mas ao que parece a obra indicada a oito Oscars (incluindo melhor filme) – mesmo tendo abocanhado o prêmio em duas categorias (melhor ator e melhor fotografia) – ainda não recebeu a merecida atenção. Pelo menos não a do público brasileiro.

Em Sangue Negro, o diretor Paul Thomas Anderson (de Magnólia) nos leva para as terras áridas, desérticas e precariamente habitadas da Califórnia, no início do século XX. A belíssima fotografia faz de cada um dos planos uma verdadeira pintura. O espectador imerge completamente no clima seco e na sensação de isolamento.

Confronto Épico

O filme narra a saga do prospector Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis). Ambicioso, ímpio, competitivo e misantropo, no entanto, apesar de possuir todas essas características, Plainview não poupa esforços para conseguir concretizar seus objetivos. Explora a força de trabalho local com promessas de melhores condições de vida, usa o rostinho bonito de seu filho adotivo para passar a impressão de que conduz um negócio familiar, entre outras artimanhas.

A atuação de Daniel Day-Lewis é impecável, mas ele não está sozinho. É quando Plainview se depara com Eli Sunday (Paul Dano) que se inicia o conflito crucial de Sangue Negro. Paul Dano (de Pequena Miss Sunshine) interpreta um jovem religioso que prega na Igreja da comunidade local, em Little Boston. Plainview é atraído até lá após receber a informação de Paul Sunday, irmão gêmeo errante de Eli, de que as terras podem conter petróleo em abundância. Logo, o prospector descobre que a informação é verossímil e se vê forçado a negociar as terras da família Sunday com o próprio Eli. A partir daí começa o conflito épico baseado na dualidade religiosidade/materialismo.

Apesar de posturas e prioridades completamente diferentes, Eli e Plainview compartilham uma característica em comum: a ambição. Exatamente por esse motivo, apesar da animosidade recíproca, os dois personagens são impelidos a se relacionarem, cada qual visando sempre os próprios interesses. Toda cena em que Daniel Day-Lewis e Paul Dano aparecem juntos é genial. Impossível não se impressionar com as duas brilhantes atuações.

Apesar de o excelente desfecho permanecer uma incógnita até o último instante da película – quando o próprio Plainview anuncia: I’m finished – algumas coisas são certas: haverá ganância, haverá vingança e haverá sangue… Sangue Negro!

11
fev
09

Quase Famosos

por Iza Prado

Quase Famosos - poster
Quase Famosos (com o título original Almost Famous) chegou aos cinemas brasileiros em Março de 2001 e apresentou muito mais que um retrato do rock no começo da década de 70. Com personagens cativantes e ótimas atuações, o filme fala sobre a mágica que a música exerce sobre todos nós, como ela nos une e o quanto ela faz parte de nossas vidas.

Este filme conta a história do amadurecimento de William Miller (o alterego de Cameron Crowe – o diretor da produção), um garoto que teve a vida transformada pelos álbuns de rock que sua irmã deixou quando foi embora de casa.

Estamos em 1973 e William Miller/Cameron Crowe tem 15 anos. O rock manda no cenário pop. David Bowie é um mito. Lou Reed largou o Velvet Underground e começa a se aventurar solo. Neil Young abandonou o Buffalo Springfield para dedicar-se também a carreira solo e brincar de superbanda com os amigos David Crosby, Stephen Stills e Graham Nash. Os Beatles acabaram, mas iniciaram carreiras solo.

Imagine Black Sabbath, The Who, Led Zeppelin, Pink Floyd no ápice, lançando álbuns clássicos. Como se dizia, deuses andavam sobre a Terra. O garoto rascunhava textos sobre música e publicava em um jornalzinho de San Diego, até conhecer Lester Bangs.

Lester Bangs era o editor da Cream Magazine e aparece como mentor do garoto. Duas palavras dele já exemplificam sua personalidade: ao escrever sobre uma banda seja “honesto e impiedoso”. Além disso, oferece os conselhos de praxe para aqueles que começam a se aventurar no mundo musical: “as bandas irão te usar, irão te apresentar garotas, irão te dar drogas, tudo para que você fale bem delas”.

Nesse meio tempo, o jovem é surpreendido por um telefonema. Ben Fong-Torres (o mais famoso editor da mais famosa revista pop de todos os tempos) quer uma matéria dele sobre alguma banda nova. A pauta da matéria é acertada via telefone, o que impossibilita ao editor saber que está colocando um garoto de 15 anos no famigerado mundo de “sexo, drogas e rock and roll” com uma nova banda, a Stillwater, para desespero de sua mãe.

O grande problema é, como fica provado depois, que William é doce demais para o rock. E se apaixona logo pela garota mais bonita dos embalos, Penny Lane, groupie misteriosa que acompanha bandas, mas que na verdade ama o guitarrista da Stillwater. A partir desse momento tudo começa a girar em torno desse romance e mesmo um rock star aprende que desculpas são necessárias, sempre.

Tema da primeira matéria de William para a Rolling Stone, a fictícia banda Stillwater e sua trajetória no filme são, na verdade, uma mistura do que Cameron Crowe viveu ao lado de Led Zeppelin, The Eagles e The Who, entre outras, durante os primeiros anos da década de 70.

No filme, louco depois de ter tomado LSD em uma festa, o guitarrista sobe no telhado de uma casa e grita “Eu sou um deus dourado”. Na vida real, a frase teria sido dita pelo vocalista do Led Zeppelin, Robert Plant, no topo de um hotel em Los Angeles.

Em outra cena, uma forte tempestade faz o avião em que o Stillwater está viajando enfrentar sérios problemas. Achando que ninguém fosse sobreviver, os integrantes começam a falar sobre seu passado, revelando segredos. Isso aconteceu de verdade com o pessoal do The Who, quando excursionavam pelos EUA em um avião. Cameron Crowe seguia a banda para uma matéria.

Apesar de tratar de um período conturbado na história do rock, Quase Famosos não é um filme forte. Nada de drogas pesadas usadas pelos roqueiros, de conflitos tempestuosos, da depressão por se estar na estrada tocando pelos mais estranhos cantos dos EUA. Esta é uma produção divertida, sentimental, leve e muito gostosa de assistir. É a mistura perfeita entre sátira e melodrama, típica das boas histórias para adolescente filmadas na década de 80.

A trilha sonora é um capítulo à parte nesta produção cinematográfica. Recheado com o que de melhor se produziu no rock n’ roll daquela época, o disco conta com nomes como The Who, Yes, The Seeds, David Bowie, Simon & Garfunkel, The Beach Boys e Led Zeppelin, entre outros.

Mas, talvez a música que consiga representar de maneira mais completa o significado deste misticismo todo é Tiny Dancer, de Elton John, tema escolhido para uma das cenas mais antológicas do cinema, dentro do ônibus da banda. É impressionante a aura fantástica e dolorida que a música passa a possuir depois de embalar uma cantoria desenfreada dentro do ônibus da banda Stillwater.

Simplesmente genial!

Quase FamososWilliam Miller: I have to go home.
Penny Lane: You are home.




agosto 2017
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