Archive for the 'Raul' Category



26
mar
09

40 anos de Allman Brothers Band

por Raul

Essa banda merece muito respeito, e hoje (26 de março), comemora oficialmente seu 40º aniversário. Estou falando de quem? The Allman Brothers Band.

Allman Brothers_01
A banda foi formada no ano de 1969, em Jacksonville, Flórida por Duanne e Gregg Allman.

A formação da banda contava com Duanne Allman (guitarras, slide guitar), Gregg Allman (vocais e orgão), Dickey Betts (guitarra), Berry Oakley (contra-baixo), Butch Trucks (bateria) e Jai Johanny “Jaimoe” Johanson (bateria).

A banda fez inúmeros shows antes mesmo de lançar o seu primeiro disco.

Allman Brothers_02
“The Allman Brothers Band”, de 1969 foi aclamado pela crítica, e seu blues-rock ganhou muitos adeptos.

O segundo disco “Idlewild South”, de 1970 fez um sucesso ainda maior que seu antecessor, consagrando definitivamente a banda entre o público e a crítica. Mas o que mais impressionava na banda era sua capacidade de improvisação nos shows. Longas jams que duravam até quarenta minutos de duração deixavam o público extasiado com tamanha eficiência.

Em 1971 a banda lança aquele que é considerado o melhor exemplo de como se tocar ao vivo. O disco duplo “Live At The Fillmore East” traz sessões gravadas nos dias 12 e 13 de maio do mesmo ano. Um show de jazz, música clássica, hard-rock e blues, para ninguém botar defeito. Versões de músicas como “Statesboro Blues”,  “Whipping Post” e “One Way Out” mostravam como a banda conseguia soar blues e hard-rock ao mesmo tempo.

Considerado pelos especialistas como o melhor guitarrista de slide de todos os tempos, Duanne Allman se mostra um guitarrista completo, um dos melhores de seu tempo, com certeza.

Ao longo dos anos a banda acumulou várias histórias obscuras envolvendo ocultismo e magia negra, sempre sendo associadas ao enorme sucesso da banda. De fato, a banda tinha como costume se reunir em cemitérios para tocar e compor músicas (vários de seus maiores sucessos foram feitos no Rose Hill Cemetery).

Aqui uma história curiosa e bizarra envolvendo Duanne Allman e Berry Oakley. Diz a lenda que em Outubro de 1970, Duane Allman toma uma overdose e simplesmente não conseguia ser reanimado pelos seus companheiros. Ele é levado para o hospital quando seus amigos reparam que as pontas de seus dedos estavam começando a ficar azuis. Os médicos então declaram que o guitarrista tinha poucas chances de sobreviver. Berry Oakley então se desespera, ajoelha e pede para que Duanne tenha pelo menos mais um ano de vida. Menos de dois minutos depois, o médico volta dizendo que o jovem guitarrista se recuperou milagrosamente! Um ano depois (exatamente 365 dias depois), Duanne Allman se envolve em um acidente com sua motocicleta e morre atropelado com um caminhão.

Um ano e treze dias depois da morte de Duanne (mais precisamente no  dia 11 de Novembro de 1972), a poucos metros de onde o jovem guitarrista havia morrido, Berry Oakley também morre em um acidente envolvendo um caminhão. Mais uma curiosidade: Duane, Berry e os dois caminhoneiros mortos nos acidentes, todos tinham vinte e quatro anos de idade. Hoje, Duane Allman e Barry Oakley estão enterrados no Rose Hill Cemetery, mesmo local onde escreveram muito de suas canções mais famosas, entre elas “In Memory of Elizabeth Reed”, uma canção instrumental, que aparentemente recebeu esse nome como homenagem ao nome que constava no túmulo em que a banda se encontrava sentada quando compuseram a música.

Em 1972 é lançado o disco “Eat a Peach” , que ainda contavam com músicas gravadas por Duanne e Berry. Ironicamente, esse disco se tornou o clássico absoluto da banda, trazendo as músicas mais famosas da banda até hoje, como “Melissa” e “Ramblin’ Man”.

Ao longo dos anos a banda teve altos e baixos, mas sempre produzindo clássicos absolutos pra ficar na memória de quem ouve boa música.

Sem mais delongas, deixo aqui minha homenagem à banda, que atualmente conta com Gregg Allman (orgão, piano, violão, vocais), Butch Trucks (bateria, tympani), Jai Johanny “Jaimoe” Johanson (bacteria, percurssão), Warren Haynes (guitarra, slide guitar, vocais), Marc Quiñones (bacteria, percurssão, backing vocals), Oteil Burbridge (contra-baixo, vocais), Derek Trucks (guitarra, slide guitar).

19
mar
09

O mundo ainda precisa dos “dinossauros do rock”?

por Raul

De uns tempos pra cá temos visto desde picaretagens (envolvendo retornos absurdos de bandas como Queen, com Paul Rodgers no vocal, por incrível que pareça) até voltas mais que aguardadas de bandas como The Police.

A questão que quero tratar aqui é a seguinte: o mundo ainda precisa dos dinossauros do rock?

Bandas como Deep Purple já não tem a mesma competência de outrora, e ao invés de proporcionar bons espetáculos por aí, acabam simplesmente por bancar o papel de bobos, tocando para platéias que desejam ouvir nada mais que os antigos clássicos da banda, ignorando por completo as músicas novas.

Ano passado o Led Zeppelin se reuniu para um único show em Londres. Show esse que despertou a atenção do mundo inteiro para uma possível volta da banda, para uma turnê mundial.

Robert Plant declarou mais de uma vez que não sente mais vontade de cantar aquele tipo de rock que o Led Zeppelin fazia no auge da carreira da banda. Egoísmo? Talvez. Mas temos exemplos vivos de como as coisas podem dar errado quando cantores velhos insistem em cantar as mesas músicas de 30 anos atrás. Ian Gillan é o melhor exemplo para esse caso. Steven Tyler também. E tantos outros. Poucas vozes no rock mantiveram-se intacta ao longo dos anos, exemplos disso: Glenn Hughes, Ronnie James Dio e Paul Rodgers. Mas são exemplos raros. A história nos mostra que tudo envelhece, e nos dias de hoje as coisas envelhecem mais rápido. O mundo não precisa mais de bandas como Led Zeppelin, Deep Purple e Queen.

Admirar os clássicos é importante, mas é preciso saber saudar o passado com o pé no novo milênio. O rock hoje, principalmente no circuito independente,  tem qualidade de sobra para não depender mais dos dinossauros do rock e seus shows caríssimos.

Pronto. Disse.

04
mar
09

Hot Rats, de Frank Zappa

por Raul

Em outubro de 1969, o mundo recebia de Frank Zappa sua maior proeza musical. O disco “Hot Rats” fugia completamente de tudo que o mestre Zappa vinha fazendo até então em parceria com os Mothers of Invention.

Depois de discos como “Freak Out!” (de 1966) e “We’re Only In It For The Money” (de 1968), juntamente com os Mothers of Invention (ambos frequentemente apontados como um dos melhores discos da história do rock,  ao mesmo tempo, nunca alcançaram grandes números nas vendas), a situação financeira do mestre se encontrava delicada. Existe uma lenda que diz que Frank Zappa, ao se encontrar com executivos da Reprise Records, solicitou (ou implorou, como contam) dez dólares de adiantamento para a gravação do disco, e teve o pedido negado! Sendo assim, Zappa rompeu com a gravadora e os Mothers of Invetion foram dissolvidos.

Frank Zappa recrutou novos músicos para sua nova empreitada, sendo eles Don Harris, Jean-Luc Ponty (violonistas), Ian Underwood (tecladista), e o genial Don Van Vilet, mais conhecido comom Captain Beefheart (que já era amigo de outras estradas do mestre Zappa).

Com esse time, “Hot Rats” foi gravado. Basicamente um disco instrumental (a única exceção seria “Willie The Pimp”, com vocais malucos e chapados de Captain Beefheart), todas as músicas foram compostas por Zappa.

Vale ressaltar que nesse disco o status de “virtuose” começou a ser reconhecido no mestre Zappa, com músicas que tinham mais clima de Jam Sessions, altamente Jazzísticas, aonde os músicos improvisavam maravilhosamente durante longos minutos.

Eu destaco aqui a faixa “The Gumbo Variations”, com seus quase dezessete minutos de duração, é uma experiência altamente recomendada para quem gosta de boa música.

Curiosidade rápida: sobre a capa do disco, temos Christine Frka, uma integrante do grupo exclusivo de groupies que seguia Zappa e sua banda, as GTOs – Girls Together Outrageously. Rock and Roll!

Hot Rats
Sem mais, fica o conselho: ouçam Frank Zappa !!!

16
fev
09

O Dilema do Pirata…

por Raul

A pirataria na internet não representa uma derrocada do capitalismo, mas sua salvação. É uma afirmação que no mínimo soa estranho, basta ver a guerra que alguns cantores/bandas e gravadoras travam contra os milhares de programas e usuários que compartilham mp3 na internet.

Não falta pouco para que talvez essa idéia se concretize de fato na nossa realidade, basta apenas que os grandes empresários da música se adaptem aos novos métodos trazidos pelos piratas e passem a competir diretamente com eles no mercado, em vez de combatê-los nos tribunais.

Essa tese é do jornalista Matt Mason, publicada em seu livro “The Pirate’s Dilemma: How Youth Culture Is Reinventing Capitalism” (o dilema dos piratas: como a cultura jovem está reinventando o capitalismo), recém-lançado nos EUA e na Europa.

“O livro trata das dores do crescimento da era da informação, de como estamos passando de um modelo econômico baseado na escassez para outro, de abundância”, disse Mason, em entrevista à Folha de São Paulo.

“O modo como os jovens se rebelam está mudando. Antes, era com novos tipos de música, como o punk, e hoje é com novos modelos de negócio, com novas redes sociais.”, continua o autor.

O livro tem sido muito bem recebido pela crítica especializada e está disponível para download gratuito em thepiratesdilemma.com

Também há uma palestra do autor, no Google Video…

O livro chamou ainda a atenção de ninguém mais que Jesse Alexander (produtor de “Heroes” e “Lost”), que quer transformar a obra em uma série de TV.

Eis o video de apresentação:

Dá pra filosofar muito em cima de tudo isso que vemos no vídeo, e ficamos a perceber de que modo é que a história dos Estados Unidos (aquela nação, a mais rica do mundo) se encontra indiscutivelmente ligada à pirataria. No vídeo, Mason alerta-nos também para a necessidade das empresas, políticos e juízes se adaptarem à pirataria em vez de continuarem a resistir a ela, uma vez que esta poderá muito bem ser o modelo de negócio do século XXI. Capitalismo moderno!

No livro, Mason cita “visionários” que foram considerados “piratas”, como Thomas Edison. “Quando ele inventou o fonógrafo, os músicos, que ganhavam a vida tocando ao vivo, o viram como um ‘pirata’, porque achavam que aquela invenção os tiraria do negócio.”

Ele também mostra como a indústria hollywoodiana (com fama de ser habitualmente feroz contra o download) deve sua origem ao mesmo tipo de pirataria que hoje tenta coibir, pois fugiu para a costa oeste dos EUA para não pagar royalties das câmeras de filmagem. Ironia do destino?? Vale a pena ler o livro, que ainda não tem previsão de lançamento no Brasil, então, só em inglês por enquanto.

12
fev
09

Cinquenta anos depois, o Brasil ainda precisa da bossa-nova?

por Raul

Cinquenta anos de bossa-nova… já faz muito tempo que o estilo musical criado pela alta sociedade carioca vem insistindo em continuar vivo, e o pior de tudo, em auto-proclamar-se representante do Brasil mundo afora, talvez junto com o tropicalismo…

Eu sempre defendi muito os movimentos artísticos populares, mas é preciso enfatizar que a bossa-nova nunca foi popular, sempre foi um produto intelectualizado pela alta sociedade brasileira, cuja intenção nunca foi mostrar o que eles estavam sentindo, mas sim mostrar os malditos acordes que eles usavam, a preocupação com as melodias vocais.

Outra das principais características da bossa nova é não suar. Imagine um músico que vai se esforçar para não suar, ter que tomar soro e vento fresco.

A música popular antes da bossa-nova foi uma época de ouro na nossa cultura, artistas como Ismael Silva, Noel Rosa, Elizeth Cardoso, Jacob do Bandolim, vários nomes que são importantíssimos na nossa história.

Detalhe que com a chegada da bossa-nova, e mais tarde do tropicalismo, a classe média brasileira acabou com tudo isso, samba virou música para os brancos da classe média, todos embevencidos pela pobreza, com uísque na mão falando que a favela é bonita, a mulata é linda, a umbanda é o que há. Nada mais hipócrita.

Dessa época, destaco Tom Jobim, que foi um grande compositor, mas ouvindo os artistas que serviram de inspiração para o músico (como por exemplo Debussy e Gershwin), vemos que eles não tem aquela auto-piedade embutida, tão característica da música brasileira, eles tem atitude pró-ativa, coisa que a bossa-nova definitivamente não tem.

E hoje, cinquenta anos depois da bossa-nova, vemos uma onda retrô surgindo, jovens escutando bossa com música eletrônica, idolatrando João Gilberto, como se ele fosse algo progressivo na nossa história, não há como negar que o cara toca violão muito bem, mas o próprio João Gilberto faz questão de se considerar inatingível, dizendo que jamais irão conseguir fazer o que ele fez, então pra quê ficar empatando as coisas? Morre e vira um Mito logo!

A mpb hoje é decadente por causa desse tipo de pensamento, a nova geração da música brasileira nada mais é do que uma sombra do que foi a outra, não tem revolução, não tem rebeldia. É o filho do fulano, é o filho do beltrano, uma espécie de capitania hereditária musical. E todos com ares de salvadores da cultura nacional, o que é o grande retrocesso.

São todos uns testemunhas de jeová, atendendo às expectativas, seguindo a cartilha e ficando nisso. Ninguém caiu na real de que é preciso trair a expectativa para crescer. Ficando nessa de público universitário, intelectual, alta sociedade, tão fudidos, porque não proporcionam nada realmente novo.

Quando insisto em citar Sepultura, Cansei de Ser Sexy e outros nomes da música brasileira, vale lembrar que não são comparações estéticas, faço isso pra mostrar o que é falso e o que é verdadeiro.

Carmen Miranda até hoje é um ícone brasileiro no exterior, mas era fake, coisa totalmente fabricada pelos estadunidenses, para que o Brasil tivesse outro tipo de imagem enquanto o couro comia já solto por aqui.

Uso esses exemplos porque são artistas que se propuseram a trair a expectativa e meter a cara num som que não é lá muito comum por aqui, se fazem um som voltado pro mercado lá fora consumir, aí já é outra discussão.

Como diria Lobão, essa casta da música popular brasileira, bossa-novista, tropicalista, todos precisam de paudurescência para mudar algo, pois não passam de uns bundões.

angeli_bossa-nova




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