Archive for the 'Raul' Category



16
fev
09

O Dilema do Pirata…

por Raul

A pirataria na internet não representa uma derrocada do capitalismo, mas sua salvação. É uma afirmação que no mínimo soa estranho, basta ver a guerra que alguns cantores/bandas e gravadoras travam contra os milhares de programas e usuários que compartilham mp3 na internet.

Não falta pouco para que talvez essa idéia se concretize de fato na nossa realidade, basta apenas que os grandes empresários da música se adaptem aos novos métodos trazidos pelos piratas e passem a competir diretamente com eles no mercado, em vez de combatê-los nos tribunais.

Essa tese é do jornalista Matt Mason, publicada em seu livro “The Pirate’s Dilemma: How Youth Culture Is Reinventing Capitalism” (o dilema dos piratas: como a cultura jovem está reinventando o capitalismo), recém-lançado nos EUA e na Europa.

“O livro trata das dores do crescimento da era da informação, de como estamos passando de um modelo econômico baseado na escassez para outro, de abundância”, disse Mason, em entrevista à Folha de São Paulo.

“O modo como os jovens se rebelam está mudando. Antes, era com novos tipos de música, como o punk, e hoje é com novos modelos de negócio, com novas redes sociais.”, continua o autor.

O livro tem sido muito bem recebido pela crítica especializada e está disponível para download gratuito em thepiratesdilemma.com

Também há uma palestra do autor, no Google Video…

O livro chamou ainda a atenção de ninguém mais que Jesse Alexander (produtor de “Heroes” e “Lost”), que quer transformar a obra em uma série de TV.

Eis o video de apresentação:

Dá pra filosofar muito em cima de tudo isso que vemos no vídeo, e ficamos a perceber de que modo é que a história dos Estados Unidos (aquela nação, a mais rica do mundo) se encontra indiscutivelmente ligada à pirataria. No vídeo, Mason alerta-nos também para a necessidade das empresas, políticos e juízes se adaptarem à pirataria em vez de continuarem a resistir a ela, uma vez que esta poderá muito bem ser o modelo de negócio do século XXI. Capitalismo moderno!

No livro, Mason cita “visionários” que foram considerados “piratas”, como Thomas Edison. “Quando ele inventou o fonógrafo, os músicos, que ganhavam a vida tocando ao vivo, o viram como um ‘pirata’, porque achavam que aquela invenção os tiraria do negócio.”

Ele também mostra como a indústria hollywoodiana (com fama de ser habitualmente feroz contra o download) deve sua origem ao mesmo tipo de pirataria que hoje tenta coibir, pois fugiu para a costa oeste dos EUA para não pagar royalties das câmeras de filmagem. Ironia do destino?? Vale a pena ler o livro, que ainda não tem previsão de lançamento no Brasil, então, só em inglês por enquanto.

12
fev
09

Cinquenta anos depois, o Brasil ainda precisa da bossa-nova?

por Raul

Cinquenta anos de bossa-nova… já faz muito tempo que o estilo musical criado pela alta sociedade carioca vem insistindo em continuar vivo, e o pior de tudo, em auto-proclamar-se representante do Brasil mundo afora, talvez junto com o tropicalismo…

Eu sempre defendi muito os movimentos artísticos populares, mas é preciso enfatizar que a bossa-nova nunca foi popular, sempre foi um produto intelectualizado pela alta sociedade brasileira, cuja intenção nunca foi mostrar o que eles estavam sentindo, mas sim mostrar os malditos acordes que eles usavam, a preocupação com as melodias vocais.

Outra das principais características da bossa nova é não suar. Imagine um músico que vai se esforçar para não suar, ter que tomar soro e vento fresco.

A música popular antes da bossa-nova foi uma época de ouro na nossa cultura, artistas como Ismael Silva, Noel Rosa, Elizeth Cardoso, Jacob do Bandolim, vários nomes que são importantíssimos na nossa história.

Detalhe que com a chegada da bossa-nova, e mais tarde do tropicalismo, a classe média brasileira acabou com tudo isso, samba virou música para os brancos da classe média, todos embevencidos pela pobreza, com uísque na mão falando que a favela é bonita, a mulata é linda, a umbanda é o que há. Nada mais hipócrita.

Dessa época, destaco Tom Jobim, que foi um grande compositor, mas ouvindo os artistas que serviram de inspiração para o músico (como por exemplo Debussy e Gershwin), vemos que eles não tem aquela auto-piedade embutida, tão característica da música brasileira, eles tem atitude pró-ativa, coisa que a bossa-nova definitivamente não tem.

E hoje, cinquenta anos depois da bossa-nova, vemos uma onda retrô surgindo, jovens escutando bossa com música eletrônica, idolatrando João Gilberto, como se ele fosse algo progressivo na nossa história, não há como negar que o cara toca violão muito bem, mas o próprio João Gilberto faz questão de se considerar inatingível, dizendo que jamais irão conseguir fazer o que ele fez, então pra quê ficar empatando as coisas? Morre e vira um Mito logo!

A mpb hoje é decadente por causa desse tipo de pensamento, a nova geração da música brasileira nada mais é do que uma sombra do que foi a outra, não tem revolução, não tem rebeldia. É o filho do fulano, é o filho do beltrano, uma espécie de capitania hereditária musical. E todos com ares de salvadores da cultura nacional, o que é o grande retrocesso.

São todos uns testemunhas de jeová, atendendo às expectativas, seguindo a cartilha e ficando nisso. Ninguém caiu na real de que é preciso trair a expectativa para crescer. Ficando nessa de público universitário, intelectual, alta sociedade, tão fudidos, porque não proporcionam nada realmente novo.

Quando insisto em citar Sepultura, Cansei de Ser Sexy e outros nomes da música brasileira, vale lembrar que não são comparações estéticas, faço isso pra mostrar o que é falso e o que é verdadeiro.

Carmen Miranda até hoje é um ícone brasileiro no exterior, mas era fake, coisa totalmente fabricada pelos estadunidenses, para que o Brasil tivesse outro tipo de imagem enquanto o couro comia já solto por aqui.

Uso esses exemplos porque são artistas que se propuseram a trair a expectativa e meter a cara num som que não é lá muito comum por aqui, se fazem um som voltado pro mercado lá fora consumir, aí já é outra discussão.

Como diria Lobão, essa casta da música popular brasileira, bossa-novista, tropicalista, todos precisam de paudurescência para mudar algo, pois não passam de uns bundões.

angeli_bossa-nova




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