Archive for the 'Raul' Category

01
dez
09

Top 2009

por Raul

OK, agora é minha vez de fazer uma lista com os melhores lançamentos de 2009…

Fever Ray – Fever Ray


Fever Ray na verdade é Karin Dreijer, vocalista do grupo The Knife. O disco segue a mesma linha do The Knife, com momentos soturnos rechados de referências a filmes de terror.

Dinosaur Jr. – Farm

Nada melhor do que o bom e velho Dinousaur Jr. voltando à velha forma, com um de seus melhores discos já lançados. Farm nos faz lembrar daquele Dinosaur Jr. dos três primeiros discos, na década de 80.

Phoenix – Wolfgang Amadeus Phoenix


O quarto disco da banda francesa não deixa nada a desejar em relação aos outros lançamentos, pelo contrário, segue a mesma linha, porém com momentos mais experimentais, o que mostra que a banda fortalece sua identidade musical a cada disco.

Sonic Youth – The Eternal


Kurt Cobain declarou que jamais poderia esperar fazer tanto sucesso e que o máximo que ele queria era que seu som fosse autêntico e parecido ao do Sonic Youth. Em quase trinta anos de banda, eles continuam influentes e autênticos. Provavelmente o melhor disco de 2009.

Wilco – The Album


Simplesmente Wilco, sem novos sons e novas viagens. A banda mantém a mesma formação a cinco anos, coisa rara quando se trata de Jeff Tweedy. Talvez seja por esse fator que o disco soe tão agradável e lírico.

Yeah Yeah Yeahs – It’s Blitz


Um disco que surpreendeu a muita gente, pois as guitarras altamente distorcidas dos últimos dois lançamentos do grupo não estão em evidência aqui. O que encontramos nesse disco são sintetizadores, faixas dançantes e aceleradas. Um bom disco, que mostra a competência do Yeah Yeah Yeahs em experimentar novos sons.

Arctic Monkeys – Humbug


Sim, foi uma surpresa. Além de James Ford, velho companheiro de produção, a banda também resolveu chamar ninguém menos que Josh Homme, do Queens of The Stone Age. O Resultado? A primeira faixa já nos mostra um Arctic Monkeys sombrio como nunca foi possível imaginar.

Kasabian – West Ryder Pauper Lunatic Asylum


A banda que, junto com o Arctic Monkeys, representa melhor o rock inglês lança um dos melhores discos de 2009. Com trabalhos vocais magníficos sobre músicas obscuras e agitadas, esse disco se torna histórico.

04
nov
09

Wu-Tang Clan e o mundo das Artes Marciais

por Raul

O que hip-hop e artes marciais têm em comum? Aparentemente nada, não é mesmo? Pois é aí que você se engana…

Wu-Tang-Clan é um grupo de rap formado em 1993, na cidade de Nova Yorque. Seus fundadores foram Ol’ Dirty Bastard, GZA e RZA.

O nome do grupo é uma referência à cultura oriental e suas artes marciais.

“Wu-Tang” é proveniente da montanha Wu Dang (Wudang Shan) no noroeste da província de Hubei, no centro da China, com uma longa história associada ao taoísmo, artes marciais e medicina.

Outra possível razão para o nome do grupo é um filme originário de Hong Kong: SHAO LIN YU WU DANG, de 1981.

É sobre o primeiro disco do grupo que trataremos a seguir, um disco que revolucionou o modo de pensar e fazer hip-hop.

O primeiro disco do grupo se chama “Enter the Wu-Tang (36 Chambers)”, e foi lançado em novembro de 1993. Nunca o tema “artes marciais” tinha sido tão explorado na música pop, e para entender o conceito do disco, é preciso repassar o básico de história das artes marciais:

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Existem diferentes tipos de artes marcias no estilo Kung Fu, e o primeiro tipo é um movimento composto, que consiste em uma série de ações segundo os modelos regulares de ataque e de defesa. Os combates e ataques geralmente são programados, e os movimentos todos interligados. Este tipo de arte marcial é a base da prática da arte marcial chinesa.

Além desse tipo, existem artes marciais com armas. As amas podem ser facas, espadas, paus, cacetes, etc, e ao longo dos tempos, as espadas passaram a ser cada vez mais utilizadas. A espada mais difícil de manusear é a Wu-Tang, e um lutador que consegue dominar a técnica da Wu-Tang é considerado invencível.

Cada nível de estágio no aprendizado das artes marciais é chamado de Chamber, e a cada Chamber ultrapassado, o aprendiz fica mais próximo da invencibilidade e da perfeição, além de ter um de seus dentes normais substituído por um dente de ouro.

O Lutador que se torna mestre na espada Wu-Tang, terá passado por 36 Chambers, se tornando assim, invencível. No estágio de “invencível”, os mestres recebem uma aplicação de platina em seus dentes de ouro frontais.

Disso tudo veio o conceito e o nome do primeiro disco do Wu-Tang Clan, revolucionando não só o hip-hop, mas toda uma cultura em torno do movimento.

O nome do grupo virou uma espécie de congregação, que passou a envolver centenas de pessoas, abrangendo marcas de roupas, tênis, games, livros e quadrinhos.

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RZA, membro fundador do grupo, é um cara altamente envolvido com cinema. Ele produziu a trilhas sonoras de: Ghost Dog (do diretor Jim Jarmusch), e Kill Bill (do mestre Quentin Tarantino).

Deixo aqui uma cena do filme “Sobre café e cigarros” (do diretor Jim Jarmmusch) em que RZA e GZA dialogam com ninguém mais ninguém menos que Bill Burray.

30
ago
09

O fim do Oasis e o final de uma era

por Raul

Noel Gallagher está oficialmente deixando o Oasis. Nesta sexta-feira (28/08/2009) veio o anuncio via site oficial do grupo: “É com alguma tristeza e grande alívio que digo a vocês que deixo o Oasis hoje à noite. As pessoas vão escrever e dizer o que elas quiserem, mas eu simplesmente não posso continuar trabalhando com Liam nem mais um dia”.

O Oasis foi formado em Manchester, no começo da década de 1990, e se tornou a banda mais importante daquele período após lançar dois grandes discos, Definitely Maybe e (What’s the story) Morning Glory.

O disco de estréia do Oasis vendeu aproximadamente 11 milhões de cópias, em uma época em que a internet ainda não era a principal ferramenta para as bandas independentes.

O segundo disco da banda, vendeu aproximadamente 21 milhões de cópias. Só na Inglaterra foram vendidas 4,8 milhões de cópias é até hoje o terceiro álbum mais vendido da história da Inglaterra, atrás somente do Greatests Hits do Queen e Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band dos Beatles.

A banda teve autos e baixos ao longo de sua história, mudando de formações diversas vezes, mas sempre lançando discos regularmente. A última formação do grupo era considerada a mais sólida e criativa que já tiveram, contando com: Gem Archer (guitarra), Andy Bell (contra-baixo) e Chris Sharrock, além dos irmãos Liam e Noel Gallaghers, evidentemente.

O último disco lançado pelo Oasis (Dig Out Your Soul, de 2008), é considerado o melhor álbum da banda desde (What’s the story) Morning Glory, que fora lançado em 1995.

Ainda não se sabe ao certo qual o futuro da banda, mas a certeza que tenho no momento é que chega o fim de uma era, a qual o Oasis era seu principal porta-voz.

Relembrando um clássico da banda, fica aqui o vídeo de Dont’ Look Back In Anger, ao vivo no estádio de Wembley, com o público cantando o refrão a plenos pulmões…

17
ago
09

As melhores bandas de todos os tempos dos últimos nove anos

por Raul

Com certeza a primeira das grandes bandas dos anos 2000 foi The Strokes. Calças jeans surradas, all-stars sujos e guitarras tocadas em alto volume só eram comuns na época do grunge. Claro que os roqueiros clássicos de plantão não irão concordar muito mas o rock, hoje, deve muito ao primeiro disco do The Strokes (o ótimo “Is This It, de 2001).

Outra banda que chamou a atenção neste novo milênio foi a Black Rebel Motorcycle Club. A imagem e o som da banda geralmente são associados ao The Jesus & Mary Chain (não que isso seja ruim), devido ao som obscuro, visual sombrio e microfonias.  Um dos power-trios mais compententes da história do rock.

The Libertines talvez tenha sido a primeira banda concorrer diretamente com o The Strokes pelo posto de banda do momento. Com seu primeiro disco (“Up The Bracket”, de 2002), aliado ao comportamento altamente Junkie, a banda rodou o mundo como atração principal dos melhores festivais europeus.

Kings Of Leon talvez seja, junto com o Arctic Monkeys, uma das últimas grandes que surgiram no começo da década e ainda continuam tocando como antes, até progredindo, como é o caso do último disco do Kings Of Leon (o clássico absoluto “Only By The Night”, de 2008). Graças a seu disco mais recente, a banda passou a ter shows disputadíssimos nos festivais europeus.

Franz Ferdinand é um exemplo de como lidar com o sucesso excessivo do início de carreira para se transformar em uma grande banda que tem um belo futuro pela frente, além do que o disco de estréia pode proporcionar (me refiro aqui ao “Franz Ferdinand”, de 2004).

A última grande Indie Band. É assim que o Arctic Monkeys é chamado pelos críticos. Talvez  seja mesmo, afinal, o disco de estréia da banda (o excelente “Whatever People I am, That’s What I’m Not, de 2006) superou o disco de estréia do Oasis, sendo assim o disco de estréia com vendagem mais rápida até o momento.

Claro que muitas bandas boas ficaram de fora e que merecem atenção. Logo, pretendo continuar esse post num texto futuro…

04
ago
09

A verdadeira voz do Grunge

por Raul

Nem Layne Staley, nem o mala do Eddie Vedder. Muito menos Kurt Kobain. A voz do Grunge sempre pertenceu (e ainda pertence) ao ex-vocalista do Screaming Trees, Mark Lanegan.

Com um vocal rouco e sombrio, Mark Lanegan começou sua carreira solo em 1990, quando sua banda já tinha três discos gravados e tinha um enorme reconhecimento no underground estadunidense.

O disco de estréia, “The Winding Sheet”, foi um sucesso de crítica e público, mostrando o feeling que o diferenciava de sua banda quando o assunto era carreira solo. Entre outros, participaram das gravações dois músicos desconhecidos, Kurt Cobain e Krist Novoselic…

Mas é o segundo disco de Mark Lanegan que o consagraria como artista solo. Lançado em 1994, “Whiskey for the Holy Ghost”, foi um grande sucesso de crítica, de público e de vendas, surpreendendo inclusive a SubPop, que por ser uma gravadora independente, não esperava o tamanho do sucesso que o disco alcançaria.

O disco traz uma atmosfera de um disco de blues, pela sua melancolia e pelo jeito único de cantar de Mark Lanegan.  Destaco aqui as músicas House A Home e El Sol, ambas belíssimas.

O Screaming Trees acabaria em 1999, mas durante a década de ‘90, Mark já acumularia participações em diversos projetos paralelos, entre eles a banda Mad Season (que quase chegou a gravar com Mark no vocal, não fosse a morte do baixista da banda, enterrando definitivamente o projeto), e o mais que inusitado Tuatara (banda experimental de jazz/rock, que contava com o guitarrista Peter Buck (do R.E.M.) e o baterista Barrett Martin (do Screaming Trees e do Mad Season).

Em 2001, participa como vocalista convidado na turnê do Queens of the Stone Age. No mesmo ano, Mark participa do novo álbum do QOTSA, tornando-se integrante fixo da banda, que lançou o clássico “Songs For The Deaf” em 2002.

Em 2005, o músico junta-se a Isobel Campbell (ex-Belle & Sebastian) para um projeto um tanto que curioso, que em 2006 lança o álbum “Ballad of the Broken Seas”, que (por incrível que pareça) foi muito elogiado pela imprensa especializada.

Ainda em 2005, o músico se junta a Greg Dulli (The Afghan Whigs) e forma o The Gutter Twins, que lançaria seu disco de estréia em 2008, chamado “Saturnalia”. Ainda em 2008, sai o segundo o disco da parceria com Isobel Campbell, “Sunday at Devil Dirt”, repetindo o sucesso do disco anterior.

Ele também já participou de diversos álbuns de bandas como PJ Harvey, Mondo Generator, Masters Of Reality, Melissa Auf der Maur, e outros.

Mark Lanegan sempre se diferenciou de seus contemporâneos Grunges, com uma voz inigualável, moldada a uísque e cigarros, coisas que só o rock and roll sabe como fazer…

Deixo com vocês o clipe da música “House a Home”, do disco “Whiskey for the Holy Ghost”.

06
jun
09

Quando o Power Pop entra em cena…

por Raul

Eu poderia citar inúmeras bandas de Power Pop que surgiram nos anos 1970, mas com certeza a banda que representa melhor o gênero é o Big Star.

Imagine guitarras glam-rock aliadas à melodias inspiradas em The Beatles, The Byrds, The Who, e The Beach Boys??

O primeiro disco da banda, #1 Record, foi lançado em 1972, mas devido a problemas de distribuição da gravadora Ardent Records,  as vendagens foram muito baixas.

No final da década de 1970, diversos críticos musicais começaram a incluir os álbuns do Big Star entre os melhores trabalhos da década. Bandas alternativas que surgiram nos anos 1980 (como R.E.M e Teenage Fanclub) citavam o Big Star como sua principal influência.

Hoje o primeiro disco da banda é considerado um clássico absoluto do rock and roll.

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A nova formação da banda voltou a gravar no começo de 2004, mas aí já outra história…

Deixo aqui a dica de um vídeo recente da banda, tocando ao vivo o maior clássico da banda, com dois integrantes originais Alex Chilton (vocal)  e Jody Stephens  (bateria).

12
abr
09

Uma banda nada convencional…

por Raul

Mark Sandman era urbano nato e gostava da cidade à noite.  Já foi taxista notuno em Cambridge, sua cidade natal, além de ter trabalhado num pesqueiro no Alasca. Morou no Rio de Janeiro durante um ano e não tinha residência fixa.

Montou duas bandas de rock simplesmente pelo prazer de tocar e curtir a noite despreocupadamente. Essas bandas foram o Treat Her Right e o Morphine.

Falaremos do Morphine aqui, pois se trata de uma das bandas menos convencionais que já surgiram no cenário do rock, ou do jazz, seja como for.

Mark Sandman ousou tocar um contra-baixo usando apenas as duas cordas mais graves utilizando um slide. Apimentando ainda mais a receita, a banda tinha um saxofone barítono tenor, e bateria.

Essa combinação resultou em uma banda que mesclava rock com jazz, sem usar guitarra, tocando de maneira soturna, musicando poemas inspirados em Kerouac e sua literatura beatnik.

Em 1992, a banda lança seu primeiro disco, o excelente “Good” que chamava atenção pelas idéias inovadoras e os belíssimos poemas de Mark Sandman, que acima de tudo se mostrava um excelente músico.

No segundo disco, o clássico “Cure For Pain”, a banda mostra uma maturidade incrível, criando clássicos instantâneos, como “All Wrong” e “Thursday”. Esse disco marca também a mudança de bateristas na banda, sai Jerome e entra Billy Conway.

No terceiro disco, o inovador “Yes!”, a banda mostra um enstrosamento sensacional. Com certeza o destaque do grupo nesse disco era a sonoridade dos saxes de Dana Colley, que resolve tocar um sax duplo, com as duas mãos e apenas uma boquilha em um dos instrumentos, que era ligado ao outro por um tubo.

O quarto disco da banda, o mediano “Like Swimming” mostra a banda em seu momento menos inspirado, porém a qualidade musical dos integrantes continuava intacta. Talvez pelo fato de não ter conseguido contrato com uma grande gravadora, a banda sentia uma certa pressão do mundo underground.

Aquele que seria o quinto disco do grupo, poderia ser, talvez, o mais ousado e bem arranjado lançamento da banda até então. Mark Sandman trabalhou durante dois anos na criação do álbum, planejando-o cuidadosamente, gravando-o em seu estúdio particular, o Hi-N-Dry. Além dos membros da banda, foram convocados para a gravação do disco: Jane Scarpatoni (cello), Mike Rivard (baixo) e Joseph Keller (violino). Jerome Deupree também foi requisitado, tocando em todas as faixas. Mark tocou vários instrumentos, entre outros, tocou piano, órgão, guitarra acústica e trombone. Mark também toca um contra-baixo tradicional, de quatro cordas,  além de tocar um violão na linda “Rope on Fire”.

Com dois bateristas tocando juntos, somado aos backing vocals femininos presentes nas canções, “The Night” era classificado pela prórpia banda, como um passo a frente e totalmente inovador até então.

Durante um show, no dia 3 de julho, em Palestrina, Itália, Mark fala com o público: “Obrigado Palestrina. É uma linda noite. É ótimo estar aqui e quero dedicar uma canção super-sexy a todos vocês…”

E parou ali. Mark Sandman sofreu um enfarte fulminante, morrendo no palco. Durante o show.

O disco “The Night” foi lançado no ano 2000, e os demais integrantes da banda se envolveram em diversoso projetos musicais, sempre celebrando a música de Mark Sandman. Atualmente eles tocam no Twinemen, que tem como vocalista Laurie Sargent, que sempre foi fã declarada de Mark Sandman.

Deixo aqui uma apresentação ao vivo da banda, gravada entre 1994 e 1995, para a televisão francesa.

26
mar
09

40 anos de Allman Brothers Band

por Raul

Essa banda merece muito respeito, e hoje (26 de março), comemora oficialmente seu 40º aniversário. Estou falando de quem? The Allman Brothers Band.

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A banda foi formada no ano de 1969, em Jacksonville, Flórida por Duanne e Gregg Allman.

A formação da banda contava com Duanne Allman (guitarras, slide guitar), Gregg Allman (vocais e orgão), Dickey Betts (guitarra), Berry Oakley (contra-baixo), Butch Trucks (bateria) e Jai Johanny “Jaimoe” Johanson (bateria).

A banda fez inúmeros shows antes mesmo de lançar o seu primeiro disco.

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“The Allman Brothers Band”, de 1969 foi aclamado pela crítica, e seu blues-rock ganhou muitos adeptos.

O segundo disco “Idlewild South”, de 1970 fez um sucesso ainda maior que seu antecessor, consagrando definitivamente a banda entre o público e a crítica. Mas o que mais impressionava na banda era sua capacidade de improvisação nos shows. Longas jams que duravam até quarenta minutos de duração deixavam o público extasiado com tamanha eficiência.

Em 1971 a banda lança aquele que é considerado o melhor exemplo de como se tocar ao vivo. O disco duplo “Live At The Fillmore East” traz sessões gravadas nos dias 12 e 13 de maio do mesmo ano. Um show de jazz, música clássica, hard-rock e blues, para ninguém botar defeito. Versões de músicas como “Statesboro Blues”,  “Whipping Post” e “One Way Out” mostravam como a banda conseguia soar blues e hard-rock ao mesmo tempo.

Considerado pelos especialistas como o melhor guitarrista de slide de todos os tempos, Duanne Allman se mostra um guitarrista completo, um dos melhores de seu tempo, com certeza.

Ao longo dos anos a banda acumulou várias histórias obscuras envolvendo ocultismo e magia negra, sempre sendo associadas ao enorme sucesso da banda. De fato, a banda tinha como costume se reunir em cemitérios para tocar e compor músicas (vários de seus maiores sucessos foram feitos no Rose Hill Cemetery).

Aqui uma história curiosa e bizarra envolvendo Duanne Allman e Berry Oakley. Diz a lenda que em Outubro de 1970, Duane Allman toma uma overdose e simplesmente não conseguia ser reanimado pelos seus companheiros. Ele é levado para o hospital quando seus amigos reparam que as pontas de seus dedos estavam começando a ficar azuis. Os médicos então declaram que o guitarrista tinha poucas chances de sobreviver. Berry Oakley então se desespera, ajoelha e pede para que Duanne tenha pelo menos mais um ano de vida. Menos de dois minutos depois, o médico volta dizendo que o jovem guitarrista se recuperou milagrosamente! Um ano depois (exatamente 365 dias depois), Duanne Allman se envolve em um acidente com sua motocicleta e morre atropelado com um caminhão.

Um ano e treze dias depois da morte de Duanne (mais precisamente no  dia 11 de Novembro de 1972), a poucos metros de onde o jovem guitarrista havia morrido, Berry Oakley também morre em um acidente envolvendo um caminhão. Mais uma curiosidade: Duane, Berry e os dois caminhoneiros mortos nos acidentes, todos tinham vinte e quatro anos de idade. Hoje, Duane Allman e Barry Oakley estão enterrados no Rose Hill Cemetery, mesmo local onde escreveram muito de suas canções mais famosas, entre elas “In Memory of Elizabeth Reed”, uma canção instrumental, que aparentemente recebeu esse nome como homenagem ao nome que constava no túmulo em que a banda se encontrava sentada quando compuseram a música.

Em 1972 é lançado o disco “Eat a Peach” , que ainda contavam com músicas gravadas por Duanne e Berry. Ironicamente, esse disco se tornou o clássico absoluto da banda, trazendo as músicas mais famosas da banda até hoje, como “Melissa” e “Ramblin’ Man”.

Ao longo dos anos a banda teve altos e baixos, mas sempre produzindo clássicos absolutos pra ficar na memória de quem ouve boa música.

Sem mais delongas, deixo aqui minha homenagem à banda, que atualmente conta com Gregg Allman (orgão, piano, violão, vocais), Butch Trucks (bateria, tympani), Jai Johanny “Jaimoe” Johanson (bacteria, percurssão), Warren Haynes (guitarra, slide guitar, vocais), Marc Quiñones (bacteria, percurssão, backing vocals), Oteil Burbridge (contra-baixo, vocais), Derek Trucks (guitarra, slide guitar).

19
mar
09

O mundo ainda precisa dos “dinossauros do rock”?

por Raul

De uns tempos pra cá temos visto desde picaretagens (envolvendo retornos absurdos de bandas como Queen, com Paul Rodgers no vocal, por incrível que pareça) até voltas mais que aguardadas de bandas como The Police.

A questão que quero tratar aqui é a seguinte: o mundo ainda precisa dos dinossauros do rock?

Bandas como Deep Purple já não tem a mesma competência de outrora, e ao invés de proporcionar bons espetáculos por aí, acabam simplesmente por bancar o papel de bobos, tocando para platéias que desejam ouvir nada mais que os antigos clássicos da banda, ignorando por completo as músicas novas.

Ano passado o Led Zeppelin se reuniu para um único show em Londres. Show esse que despertou a atenção do mundo inteiro para uma possível volta da banda, para uma turnê mundial.

Robert Plant declarou mais de uma vez que não sente mais vontade de cantar aquele tipo de rock que o Led Zeppelin fazia no auge da carreira da banda. Egoísmo? Talvez. Mas temos exemplos vivos de como as coisas podem dar errado quando cantores velhos insistem em cantar as mesas músicas de 30 anos atrás. Ian Gillan é o melhor exemplo para esse caso. Steven Tyler também. E tantos outros. Poucas vozes no rock mantiveram-se intacta ao longo dos anos, exemplos disso: Glenn Hughes, Ronnie James Dio e Paul Rodgers. Mas são exemplos raros. A história nos mostra que tudo envelhece, e nos dias de hoje as coisas envelhecem mais rápido. O mundo não precisa mais de bandas como Led Zeppelin, Deep Purple e Queen.

Admirar os clássicos é importante, mas é preciso saber saudar o passado com o pé no novo milênio. O rock hoje, principalmente no circuito independente,  tem qualidade de sobra para não depender mais dos dinossauros do rock e seus shows caríssimos.

Pronto. Disse.

04
mar
09

Hot Rats, de Frank Zappa

por Raul

Em outubro de 1969, o mundo recebia de Frank Zappa sua maior proeza musical. O disco “Hot Rats” fugia completamente de tudo que o mestre Zappa vinha fazendo até então em parceria com os Mothers of Invention.

Depois de discos como “Freak Out!” (de 1966) e “We’re Only In It For The Money” (de 1968), juntamente com os Mothers of Invention (ambos frequentemente apontados como um dos melhores discos da história do rock,  ao mesmo tempo, nunca alcançaram grandes números nas vendas), a situação financeira do mestre se encontrava delicada. Existe uma lenda que diz que Frank Zappa, ao se encontrar com executivos da Reprise Records, solicitou (ou implorou, como contam) dez dólares de adiantamento para a gravação do disco, e teve o pedido negado! Sendo assim, Zappa rompeu com a gravadora e os Mothers of Invetion foram dissolvidos.

Frank Zappa recrutou novos músicos para sua nova empreitada, sendo eles Don Harris, Jean-Luc Ponty (violonistas), Ian Underwood (tecladista), e o genial Don Van Vilet, mais conhecido comom Captain Beefheart (que já era amigo de outras estradas do mestre Zappa).

Com esse time, “Hot Rats” foi gravado. Basicamente um disco instrumental (a única exceção seria “Willie The Pimp”, com vocais malucos e chapados de Captain Beefheart), todas as músicas foram compostas por Zappa.

Vale ressaltar que nesse disco o status de “virtuose” começou a ser reconhecido no mestre Zappa, com músicas que tinham mais clima de Jam Sessions, altamente Jazzísticas, aonde os músicos improvisavam maravilhosamente durante longos minutos.

Eu destaco aqui a faixa “The Gumbo Variations”, com seus quase dezessete minutos de duração, é uma experiência altamente recomendada para quem gosta de boa música.

Curiosidade rápida: sobre a capa do disco, temos Christine Frka, uma integrante do grupo exclusivo de groupies que seguia Zappa e sua banda, as GTOs – Girls Together Outrageously. Rock and Roll!

Hot Rats
Sem mais, fica o conselho: ouçam Frank Zappa !!!




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