Archive for the 'Iza Prado' Category

13
maio
09

Ser Sentimental: Reflexões para Além do Universo Musical!

“Somos donos de nossos atos,
mas não donos de nossos sentimentos;
Somos culpados pelo que fazemos,
mas não somos culpados pelo que sentimos;
Podemos prometer atos,
mas não podemos prometer sentimentos…
Atos são pássaros engailoados,
sentimentos são passaros em vôo”
Mário Quintana

sentimental

por Iza Prado

Sabe o porquê de existirem poucas pessoas sentimentais no mundo atual?

Segundo o jornalista, filósofo e ensaísta alemão Günther Anders, a resposta é simples e fácil: o mundo passou a ser uma representação que nos é entregue em domicílio. Logo, todos os sentimentos passam a ser descartados, pois não há necessidade de sentir por algo que é só uma representação, apenas uma simples aparência.

Desta forma, quem continua a ser sentimental diante destas representações entregue em domicílio passa a ser considerado um estranho, o diferente, basicamente um dinossauro. E, assim, ou esta pessoa se torna um reprimido – que usa a internet e a ficção para se libertar das amarras sociais – ou, então, aprende a descartar também seus sentimentos para se encaixar nesta sociedade que não sabe mais lidar com as questões sentimentais.

É triste, uma hipótese bem pessimista, mas que, para mim, se torna cada dia mais assertiva e verdadeira conforme entro neste louco universo da comunicação e da filosofia midiática!

Importante ressaltar também o mundo das representações propicia a repetição e a repetição excessiva gera um enfraquecimento do objeto – neste caso em específico, o mundo e as relações sociais. Ou seja, vemos uma repetição de representações e, no fundo, nos contentamos com isto, descartamos sentimentos – como compaixão e piedade – e vivemos satisfeitos com aquilo que nos é entregue e mastigado pelos ambientes comunicacionais.

E eu só fico a me perguntar: será que NÃO é hora de mudar isso? Será que não é o momento de começar a expressar os verdadeiros sentimentos? Será que não precisamos aprender a sentir de novo? Será que não precisamos voltar a usar o corpo para nos comunicar, cortando assim todas as intermediações e aparatos?

Enfim, apenas reflexões de uma pós-graduanda da Comunicação e Semiótica!

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26
abr
09

Labirinto – A Magia do Tempo

“You remind me of the babe.
(What babe?)
The babe with the power.
(What power?)
The Power of voodoo.
(Who do?)
You do.
(Do what?)
Remind me of the babe”
(Magic Dance – David Bowie)

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por Iza Prado

Uma menina com uma grande imaginação, um bebê e… David Bowie! Labirinto – A Magia do Tempo é um dos clássicos filmes para meninas e meninos que sonham com monstros, duendes e castelos fantásticos, ou que gostam de uma boa música… Afinal, a trilha sonora fez tanto sucesso quanto o filme e continua sendo muito boa!

Sarah é uma garota sonhadora, que vive entediada em sua vida normal, tendo que aturar a madrasta, o irmão mais novo e todas as coisas chatas e comuns que ela tem que fazer todos os dias. Por isso, ela se refugia em sua imaginação.

Um dia, cansada dos choros do menino, ela resolve seguir a dica de um de seus livros preferidos: “Labirinto”. Pede aos duendes que levem seu irmão para longe, bem longe. Mas é claro que ela não esperava que desse certo.

A campainha toca e é Jareth (David Bowie), o rei dos duendes, que leva o menino para o seu reino. Para salvar o irmão, Sarah precisa chegar ao castelo de Jareth, que fica no meio de um labirinto, e para isso vai enfrentar vários obstáculos, que envolvem seres fantásticos: duendes, fadas, guardas de portas que falam por meio de charadas.

No meio disto tudo, a trama se complica ainda mais: a jovem descobre que o duende charmoso está apaixonado por ela e que só criou a situação para chamar sua atenção. Logo, Sarah precisa salvar seu irmão, se livrar de Jareth e ainda aprender a lidar com todas as loucuras deste universo mágico.

Vale à pena conferir… É uma produção cinematográfica repleta de efeitos especiais e, principalmente, muita imaginação que traz de volta a crença num mundo de mágica e a crença em histórias fantásticas. E, sinceramente, é um filme que faz qualquer menina sonhar em ser princesa, de novo… Mesmo que o príncipe seja ninguém menos que David Bowie!

Atuação Principal

O cantor-ator-diretor-produtor (sim, ele já fez um pouco de tudo!) David Bowie está perfeito como Jareth, o rei dos duendes. Um verdadeiro pop-star! Ele canta em várias seqüências, interpreta como ninguém e tem o jeito lânguido e sinistro que seria de se esperar de um rei fantástico, além da cabeleira muito, muito 80, muito Bowie.

Mas por incrível que pareça, ele não foi a primeira opção do diretor para o papel: na fila estavam Sting e Michael Jackson. Sorte que o escolhido foi o camaleão do rock: bom para o filme e ótimo para a trilha sonora.

Decepção

O filme veio dentro do grupo do gênero fantasia, que foi moda no fim dos anos oitenta. Uma aposta feita e amargada por vários executivos, que tiveram que engolir esta decepção de bilheteria. Um desapontamento que atingiu, neste caso, George Lucas, que como produtor executivo de Labirinto preferiu não divulgar o valor gasto com o filme, ao saber que o mesmo tinha arrecadado apenas US$12.729.917,00.

090426_foto-labirinto

“Everything I've done, I've done for you. I move the stars for no one”

05
mar
09

Amigo dá barato!

texto publicado originalmente na revista Gloss.
a sugestão é da Iza Prado.

amizade
Cada vez mais importantes na escala de prioridades das brasileiras, as amizades provocam no corpo o natural high, uma descarga de substâncias que dão a mesma doideira que as drogas.

O escritor Nelson Rodrigues proclamou, admiradíssimo: “Amigo é o maior acontecimento!”. Comuns desde o início da palavra escrita, odes à amizade desse tipo encontram respaldo cada vez maior nas estatísticas – e são cada vez mais comuns no comportamento feminino. Pesquisa Ibope feita a pedido da editora Abril esquadrinhou as preferências de 1,6 mil mulheres entre 18 e 48 anos espalhadas por sete capitais – e mostrou números que podem causar assombro em quem acredita que o excesso de laços de amizade pode empobrecer a individualidade.

O levantamento mostra, por exemplo, que para mulheres da classe AA, “ter amigos” está em segundo lugar em uma escala de quatorze prioridades para viver bem, abaixo apenas do item “ter saúde”. E é mais importante do que coisas como “estabilidade financeira”, “relacionamento amoroso”, “um bom emprego”, “tempo para a família” e até “sentir-se feliz”. Entre as mulheres da classe AB, manter uma rede de companheirismo é igualmente importante. Para essa camada social, amigos ficam em quinto lugar na escala – e ganham de itens como “ter saúde”, “segurança contra a violência” ou mesmo “uma vida sexual boa”.

A pesquisa transformou em números um fenômeno evidente nos últimos anos: com os novos tipos de famílias, os amigos vão ganhando terreno. “Na formação tradicional, as relações familiares tinham um peso maior. Mas isso mudou, pessoas do mesmo sangue se encontram menos e a amizade ocupou esse espaço”, explica a psicanalista Magdalena Ramos, coordenadora do Núcleo de Casal e Família da PUC-SP e autora do livro Introdução à Terapia Familiar.

O ritmo de vida, dizem os especialistas, também coloca as amizades em alta. “Muita gente muda de cidade em busca de diploma e emprego”, lembra a historiadora Mary Del Priore, autora de História das Mulheres no Brasil. “Essa nova configuração explica a distância da família e sua substituição pelas amizades”, completa ela.

QUÍMICA CEREBRAL

Explicadas do ponto de vista sociológico, as boas amizades são capazes de provocar também um fliperama cerebral que ativa drogas produzidas pelo próprio corpo. É o que os cientistas chamam de natural high. Ou seja: bons amigos dão barato, provocam uma doideira natural.

Ficar ao lado da sua turma libera substâncias como a dopamina, neurotransmissor produzido em uma região do cérebro chamada “circuito do prazer” e que provoca uma sensação boa, de “quero mais”. Dar boas risadas com as suas amigonas sacoleja a química cerebral e joga endorfina no sangue. Assim, os músculos faciais se contraem e provocam uma sensação generalizada de relaxamento corporal.

Manter-se por perto de pessoas com quem se tem afinidades ativa substâncias relacionadas ao comportamento social, como a ocitocina. “Ela leva a uma diminuição do nível de estresse e agressividade. Isso aumenta a formação de parceiros e facilita as conexões sociais. Por isso os estressados têm mais dificuldade de contato social”, diz o neurologista Roger Taussig, do Hospital Beneficência Portuguesa.

E ouvir algo que alguém com ascendência sobre você está falando faz com que sua rede de neurônios fique em alerta. “E mais substâncias vão sendo liberadas e mais áreas estimuladas”, explica Saul Cypel, neurologista do Hospital Albert Einstein.

Antes de chegar ao cérebro com suas altas doses de bem-estar, as amizades precisam passar por uma gincana psicológica. “Elas nascem dos interesses em comum, da identidade, dos princípios, daquilo que você gosta e deixa de gostar – até que se provem pela confiança”, afirma Thiago Almeida, psicólogo e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP). Trata-se da sensação típica que paira sobre grupos que desenvolveram elos com base em provas de amor e apoio em momentos difíceis.

EMPATIA

Amigas da faculdade de relações públicas da USP, Fernanda Velino, Júlia Duarte, Bruna Hodas – as três com 23 anos –, Denise Souza, 24, e Camila Kise, 22, colecionam histórias do gênero. Denise, por exemplo, encontrou na turma um suporte que faltou na família. Ela dava aulas de música, mas entrou no curso de relações públicas por pressão dos pais, que queriam vê-la em uma carreira segura. “Acumulei tarefas, entrei em depressão”, conta ela. As amigas se dividiram para assumir os trabalhos do curso e mergulharam em baterias de conversas. “Para elas, ser diferente era um ponto positivo”, diz Denise. Recuperada, por obra da rede de afeto das amigas, Denise hoje dá aulas de inglês e está de casamento marcado.

Sentir-se mal e correr para socorrer um amigo explica-se pelo sentimento que a medicina chama de empatia, uma espécie de sintonia entre os cérebros. “Todo momento difícil de alguém querido é representado dentro de um sistema de percepção que envolve nossas próprias perdas e frustrações”, explica Edson Amaro, professor de neurologia da USP.

“No caso das pessoas queridas, a dor do outro mobiliza a nossa dor. Assim como as alegrias”, completa o psicólogo Thiago Almeida. É por isso que Aristóteles definia o aditivo natural que são os bons amigos assim: “A amizade é uma alma em dois corpos”.

Para ver

Thelma & Louise (1991)
Diretor: Ridley Scott

… E Sua Mãe Também (2001)
Diretor: Alfonso Cuarón

27
fev
09

Uma história qualquer

por Iza Prado

passion

That was just a dream…

Esta história tinha todos os elementos para ter um final feliz, mas isso não aconteceu. Ele descobriu que preferia viver a vida mundana de sempre e ela se tornou uma grande executiva internacional. O que todos esperavam não se concretizou e o único culpado foi o medo mútuo do amor verdadeiro.

Ela nasceu numa família de classe média. Cresceu num pequeno apartamento da capital e dividia as horas cotidianas com sua irmã mais velha. Ele não era o filho único, mas era tratado com tal. Vinha de uma família tradicional. Cresceu numa casa do subúrbio que ocupava um quarteirão inteiro. Nunca soube o que era ter um amigo verdadeiro – suas relações eram fúteis.

Duas vidas totalmente diferentes se encontraram por uma brincadeira do acaso. Numa tempestade de verão, em plena Avenida Paulista , abrigaram-se embaixo do mesmo toldo. Trocaram olhares, conversaram sobre amenidades e dividiram uma mesa durante o café-expresso. Não tinham interesses em comum, mas se encantaram pela situação.

Saíram durantes meses e logo se diziam apaixonados. Promessas de amor eterno eram jogadas ao vento e o mundo acompanhava aquele frenético sentimento. A pureza dos atos se transformava em lembranças inesquecíveis e nada poderia dar errado, eram felizes e completos. Doce ilusão!

Os anos passaram e tudo mudou. Ela estudava cada vez mais e o talento finalmente foi reconhecido – conseguiu um ótimo emprego. Ele desistiu da carreira profissional e passou a viver da alta mesada paterna. Os universos pessoais se distanciavam cada vez mais e já não se entendiam. O destino separou o que o acaso juntou.

Nunca mais se viram, nunca mais se olharam, nunca mais conversaram, nunca mais se amaram, nunca mais se completaram. Queimaram as cartas, rasgaram as fotos e fingiram que aquilo tudo não aconteceu.

Eram almas gêmeas que não percebiam isso. Deixaram a verdadeira felicidade escapar e não fizeram nada para evitar. Perderam a única chance que a vida lhes proporcionou. Encararam a mediocridade humana como o patamar máximo de realização pessoal e se contentaram. Ignorantes!

Covardes e fracos, eles não sabiam amar!

23
fev
09

Todo o encanto de Os Sonhadores

por Iza Prado

Os Sonhadores - Pôster
Paris em maio de 1968. É esse tumultuado cenário político que o cineasta Bernardo Bertolucci utiliza como pano de fundo para Os Sonhadores (The Dreamers, 2003). O filme conta, sem pudor algum, a história de três jovens que se vêem atraídos por uma única paixão: o cinema.

Baseado no livro homônimo de Gilbert Adair que assina o roteiro, Matthew (Michael Pitt) é um estudante americano, em um programa de intercâmbio em Paris. Apaixonado por cinema, ele freqüenta assiduamente a Cinemateca Francesa. Mas essa é a época que explodem revoltas estudantis por toda a Europa. Um dia, ao retornar à Cinemateca, ele encontra uma manifestação no local. É nessa situação que ele conhece os irmãos gêmeos Isabelle (Eva Green) – uma garota com falsa inocência, sedutora, mas ainda assim frágil – e Théo (Louis Garrel) – um jovem idealista misterioso, com ar ameaçador. Os três, por nutrirem uma mesma paixão, acabam se aproximando rapidamente.

Dessa maneira, os três se envolvem mais profundamente justamente pelo cinema, conteúdo de seus jogos de adivinhação, e formam um triângulo amoroso. Essa relação funciona como uma metáfora, para Bertolucci, discutir as influências das mudanças e a dualidade entre a necessidade versus a vontade de crescer. Afinal, os personagens precisam encarar suas próprias crenças e isso não só os definirá, como determinará o mundo à sua volta.

O sexo também ocupa lugar central na trama. A exploração do nu e as cenas que remetem às relações sexuais, inicialmente, podem chocar, mas exprimem um realismo sem tabu. A sexualidade surge como se fosse uma brincadeira de criança, sem maldade ou perversão, evolução natural dos jogos infantis, bombardeados de hormônios em ebulição. E todos agem como se estivessem interpretando, na tentativa de alcançar a atitude de seus ídolos.

Com todos esses elementos, o diretor criou um filme poético, sem pressa de chegar a algum lugar e sem a preocupação de contar uma história redonda, apenas extraindo imagens de uma beleza hipnótica. Os enquadramentos são coloridos e criativos e a montagem é inteira dinâmica. Esse ritmo da história até pode incomodar a alguns, principalmente quando se aproxima o final. Às vezes, fica a impressão que Bertolucci não sabe o que fazer com tanta coisa junta no mesmo filme, mas o diretor não decepciona.

Os Sonhadores pode ser considerado como um sonho quase perfeito que transporta o espectador para uma outra época, em um tempo distante, quase perdido. É a Paris de 1968 vista de dentro de um quarto – com as janelas fechadas e o som ligado – através dos olhos, pés, seios, coxas, membros e bocas de três jovens belos e inocentes que consomem mais vinho do que água.

É um filme estiloso, nostálgico, sensual e imperdível.

Os Sonhadores

“As we walked, we talked and talked and talked about politics, about movies, and about why the French could never come close to producing a good rock band”

20
fev
09

Conhecendo Mr. Manson?!

Marilyn MansonUm pouco da história do ex-jornalista, que se considera anticristo e é um dos padres da Igreja Satânica.

por Iza Prado

Marilyn Manson, que possui um pseudônimo inspirado em dois grandes ícones dos anos 60: a atriz Marilyn Monroe e o maníaco Charles Manson, nasceu em Canton – Ohio, no dia 05 de Janeiro de 1969. Batizado com o nome de Brian Warner, o cantor sofreu vários traumas durante a sua infância.

Sofreu abuso sexual por parte de um vizinho aos 8 anos, apanhava constantemente dos colegas na escola por ser muito magro e, ainda, sofria com a dura educação de sua família, principalmente com o avô – pessoa mais má que conheceu. “Um pervertido sexual”, afirmou durante várias entrevistas.

Por sempre ter estudado em colégios de elite e religiosos, Mr. Manson – como costuma ser chamado – cresceu revoltado e, quando adolescente, passou a usar blush e batom da mãe, além de uma máscara de Halloween. Segundo ele, culpa de tal comportamento é do cristianismo que impede que as pessoas sejam diferentes. Usar maquiagem foi a maneira que ele encontrou para ser diferente.

Formou-se jornalista por gostar de escrever poemas e crônicas, mas logo seu desgosto pela sociedade norte-americana aumentou e resolveu desafiá-la através de shows em que instrumentos eram queimados em meio a garotas enjauladas e ao som de frases do tipo “Matem Deus” e “Diversão Anal”.

Inicialmente com a banda Marilyn Manson And The Spooky Kids, que anos depois perdeu a segunda parte do nome para facilitar a divulgação, Mr. Manson  ganhou vários Slammies (prêmios para bandas da Flórida) em sucessivos anos e conquistou legião de adolescentes ao redor do mundo.

Grande parte de seu marketing pessoal está ligado ao fato de ser polêmico – satanista e anticristo assumido, e utiliza isso aplicado às letras, shows e declarações à imprensa como: “Digamos que sou o tipo de pessoa que carrega um monte de canudos, mas jamais toma milk-shake”, afirmou sobre o uso de drogas.

Convidado pelo Dr. Anton Szandor La Vey , fundador da igreja de Satã, para um cargo de padre, passou a denominar-se Reverend Marilyn Manson e chocou a todos ao declarar: “De fato, sou um padre da Igreja de Satã. Todo mundo tem que ter um demônio dentro de si. Foi o demônio que conseguiu manter o cristianismo em pé por tanto tempo. Você não tem um sem o outro. Eu quero mostrar às pessoas os dois lados, é como Marilyn e Manson”.

E continua: “O Satanismo é uma filosofia que me fascina, é a maior rebelião contra a ordem e Deus. Mas também me interesso por Nietzche, Freud, o fim do mundo e outras filosofias. O satanismo é normalmente percebido como a adoração do diabo. Na realidade, o satanismo é a obliteração do cristianismo, que objetiva controlar as pessoas. Elas, enfim, podem escolher viver com suas próprias forças internas”.

Surpreendentemente, ele se diz tímido, mas que é do tipo que diz o que pensa. Considera-se rebelde e confessa não existir mais diferença entre o Manson dos palcos e a pessoa que existe fora dela. A única coisa que muda, segundo ele, é a maneira de se vestir.

11
fev
09

Quase Famosos

por Iza Prado

Quase Famosos - poster
Quase Famosos (com o título original Almost Famous) chegou aos cinemas brasileiros em Março de 2001 e apresentou muito mais que um retrato do rock no começo da década de 70. Com personagens cativantes e ótimas atuações, o filme fala sobre a mágica que a música exerce sobre todos nós, como ela nos une e o quanto ela faz parte de nossas vidas.

Este filme conta a história do amadurecimento de William Miller (o alterego de Cameron Crowe – o diretor da produção), um garoto que teve a vida transformada pelos álbuns de rock que sua irmã deixou quando foi embora de casa.

Estamos em 1973 e William Miller/Cameron Crowe tem 15 anos. O rock manda no cenário pop. David Bowie é um mito. Lou Reed largou o Velvet Underground e começa a se aventurar solo. Neil Young abandonou o Buffalo Springfield para dedicar-se também a carreira solo e brincar de superbanda com os amigos David Crosby, Stephen Stills e Graham Nash. Os Beatles acabaram, mas iniciaram carreiras solo.

Imagine Black Sabbath, The Who, Led Zeppelin, Pink Floyd no ápice, lançando álbuns clássicos. Como se dizia, deuses andavam sobre a Terra. O garoto rascunhava textos sobre música e publicava em um jornalzinho de San Diego, até conhecer Lester Bangs.

Lester Bangs era o editor da Cream Magazine e aparece como mentor do garoto. Duas palavras dele já exemplificam sua personalidade: ao escrever sobre uma banda seja “honesto e impiedoso”. Além disso, oferece os conselhos de praxe para aqueles que começam a se aventurar no mundo musical: “as bandas irão te usar, irão te apresentar garotas, irão te dar drogas, tudo para que você fale bem delas”.

Nesse meio tempo, o jovem é surpreendido por um telefonema. Ben Fong-Torres (o mais famoso editor da mais famosa revista pop de todos os tempos) quer uma matéria dele sobre alguma banda nova. A pauta da matéria é acertada via telefone, o que impossibilita ao editor saber que está colocando um garoto de 15 anos no famigerado mundo de “sexo, drogas e rock and roll” com uma nova banda, a Stillwater, para desespero de sua mãe.

O grande problema é, como fica provado depois, que William é doce demais para o rock. E se apaixona logo pela garota mais bonita dos embalos, Penny Lane, groupie misteriosa que acompanha bandas, mas que na verdade ama o guitarrista da Stillwater. A partir desse momento tudo começa a girar em torno desse romance e mesmo um rock star aprende que desculpas são necessárias, sempre.

Tema da primeira matéria de William para a Rolling Stone, a fictícia banda Stillwater e sua trajetória no filme são, na verdade, uma mistura do que Cameron Crowe viveu ao lado de Led Zeppelin, The Eagles e The Who, entre outras, durante os primeiros anos da década de 70.

No filme, louco depois de ter tomado LSD em uma festa, o guitarrista sobe no telhado de uma casa e grita “Eu sou um deus dourado”. Na vida real, a frase teria sido dita pelo vocalista do Led Zeppelin, Robert Plant, no topo de um hotel em Los Angeles.

Em outra cena, uma forte tempestade faz o avião em que o Stillwater está viajando enfrentar sérios problemas. Achando que ninguém fosse sobreviver, os integrantes começam a falar sobre seu passado, revelando segredos. Isso aconteceu de verdade com o pessoal do The Who, quando excursionavam pelos EUA em um avião. Cameron Crowe seguia a banda para uma matéria.

Apesar de tratar de um período conturbado na história do rock, Quase Famosos não é um filme forte. Nada de drogas pesadas usadas pelos roqueiros, de conflitos tempestuosos, da depressão por se estar na estrada tocando pelos mais estranhos cantos dos EUA. Esta é uma produção divertida, sentimental, leve e muito gostosa de assistir. É a mistura perfeita entre sátira e melodrama, típica das boas histórias para adolescente filmadas na década de 80.

A trilha sonora é um capítulo à parte nesta produção cinematográfica. Recheado com o que de melhor se produziu no rock n’ roll daquela época, o disco conta com nomes como The Who, Yes, The Seeds, David Bowie, Simon & Garfunkel, The Beach Boys e Led Zeppelin, entre outros.

Mas, talvez a música que consiga representar de maneira mais completa o significado deste misticismo todo é Tiny Dancer, de Elton John, tema escolhido para uma das cenas mais antológicas do cinema, dentro do ônibus da banda. É impressionante a aura fantástica e dolorida que a música passa a possuir depois de embalar uma cantoria desenfreada dentro do ônibus da banda Stillwater.

Simplesmente genial!

Quase FamososWilliam Miller: I have to go home.
Penny Lane: You are home.




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