Archive for the 'Fabrício Behrmann' Category

22
fev
09

Nietzsche, o filósofo pop

por Fabrício Behrmann

Hello Nietzsche

“Há homens que nascem póstumos”. Com essa frase o filósofo alemão pretendia deixar bem claro que sua obra não era destinada ao seu tempo, mas sim a um tempo futuro. E quem diria: o bigodudo estava certo.

Atualmente uma legião de adolescentes revoltados têm se tornado “seguidores” da filosofia nietzscheana. Isso deve-se ao fato de muitos jovens acabarem se identificando com a obra do autor, sua solidão e seu desprezo pela humanidade. “Não quero ‘crentes’; acredito que sou demasiado mau para crer em mim mesmo; eu nunca falo às massas… Tenho grande medo de ser, algum dia, santificado”. Nietzsche deve estar se revirando no caixão a essa altura. Realmente o autor não foi santificado, mas de alguma forma o carrancudo filósofo se tornou praticamente um ícone da cultura pop.

Em sua autobiografia – Ecce Homo – o filósofo escreveu: “desse modo compreenderão por que eu publico antes esse livro: deve ele evitar que se abuse do meu nome”. Na verdade o que temos visto ultimamente é bem o contrário do que pretendia o autor. Em diversas produções hollywoodianas figuram citações ou menções ao nome do filósofo: em Gênio Indomável (1997), Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (2004) e A Casa do Lago (2006).

Mas dentre todas as participações de Nietzsche no cinema, sem dúvida a melhor está em Pequena Miss Sunshine (2006). O filme é uma comédia com elementos de drama – considerado um road movie –, mas de certa forma contém uma crítica contundente e bem-humorada com relação ao “modismo” da filosofia nietzscheana. Em Pequena Miss Sunshine o talentoso Paul Dano (de Sangue Negro) interpreta Dwayne, um garoto que sonha entrar para a aeronáutica e ser piloto de aviões. O jovem também é um “seguidor” do filósofo alemão, tem inclusive uma grande bandeira com o rosto de Nietzsche em seu quarto e aparece em várias cenas usando uma camiseta com a frase: Jesus was wrong. Dwayne fez voto de silêncio até que consiga realizar seu objetivo e comunica-se com sua família apenas através de um pequeno bloco de notas que carrega consigo. Em certo ponto do filme Dwayne escreve para seu tio homossexual: I Hate Everyone. O personagem de Paul Dano é sem dúvida um retrato bem satirizado dos atuais admiradores juvenis de Nietzsche.

Além das menções hollywoodianas, o filósofo tornou-se sinônimo de grande possibilidade de lucro. O nome de Nietzsche figura em várias capas de revistas especializadas em Filosofia, como a Discutindo Filosofia e a Ciência & Vida Filosofia. O bigodudo foi até capa da edição n° 19 desta última, sendo reproduzido em forma de charge.

Nietzsche fez uma ponta até no mundo dos games. Os capítulos da famigerada trilogia de RPGs da Namco, Xenosaga, ganharam nomes que nos remetem imediatamente ao filósofo. Episode I: Der Wille zur Macht (A Vontade de Potência), Episode II: Jenseits von Gut und Bose (Além do Bem e do Mal) e Episode III: Also Sprach Zarathustra (Assim Falou Zaratustra). Ao menos, o jogo é considerado por muitos um dos mais filosóficos já feitos.

E as menções ao famoso alemão em produtos da indústria cultural da Terra do Sol Nascente não terminam por aí. O animê shonen-ai (gênero que retrata relações românticas entre homens) Loveless faz referência a filosofia nietzscheana. O personagem principal do animê em questão – Ritsuka, um garoto de 12 anos – é um admirador do bigodudo.

Outra aparição inusitada de Nietzsche é no famoso vídeo Dance Monkeys Dance de Ernest Cline. A montagem traz uma reflexão muito interessante sobre a condição humana. E também sobre o modismo com que vem sendo tratada a filosofia nietzscheana.

Vale lembrar que o filósofo alemão apareceu como personagem central do romance Quando Nietzsche Chorou (1992), de Irvin D. Yalom. O livro rapidamente se tornou um best-seller e em 2007 rendeu um filme de qualidade duvidosa, pra dizer o mínimo. É possível que o sucesso do romance tenha desencadeado toda essa superexposição. Todos os livros de Yalom, em suas versões nacionais, contêm em sua capa a atraente propaganda: “Do mesmo autor de Quando Nietzsche Chorou”.

Segundo o post sobre o Marilyn Manson (dia 20 de fevereiro) – da nossa companheira Iza Prado – até mesmo o excêntrico cantor se interessa pelo bigodudo! E como se tudo isso não bastasse, agora o nome de Nietzsche figura no título de um post no Blog do Mercúrio Cromo… “Agora vos mando que me percais e vos encontreis a vós mesmos; e só quando todos me houverdes renegado, tornarei para vós”, Assim Falou Zaratustra.

17
fev
09

Haverá Sangue… Sangue Negro!

por Fabrício Behrmann

Sangue Negro - pôster
Quando algum filme estrangeiro aterrissa nas terras tupiniquins geralmente já entra com o pé esquerdo, a começar pela já tradicional péssima adaptação de título. Mas felizmente parece que o ator – duas vezes vencedor do Oscar – Daniel Day-Lewis (de Gangues de Nova York) é imune a superstições referentes a pés esquerdos. Pode-se afirmar categoricamente que o título adaptado de There Will Be Blood (Sangue Negro) se encaixa perfeitamente. Não poderia haver uma metáfora melhor para expressar o que se passa durante os 158 minutos da película.

Já faz mais de um ano que Sangue Negro estreou nos cinemas nacionais (dia 15 de fevereiro de 2008) e na segunda metade do ano passado pudemos contar com a versão em DVD do filme disponível nas locadoras. Mas ao que parece a obra indicada a oito Oscars (incluindo melhor filme) – mesmo tendo abocanhado o prêmio em duas categorias (melhor ator e melhor fotografia) – ainda não recebeu a merecida atenção. Pelo menos não a do público brasileiro.

Em Sangue Negro, o diretor Paul Thomas Anderson (de Magnólia) nos leva para as terras áridas, desérticas e precariamente habitadas da Califórnia, no início do século XX. A belíssima fotografia faz de cada um dos planos uma verdadeira pintura. O espectador imerge completamente no clima seco e na sensação de isolamento.

Confronto Épico

O filme narra a saga do prospector Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis). Ambicioso, ímpio, competitivo e misantropo, no entanto, apesar de possuir todas essas características, Plainview não poupa esforços para conseguir concretizar seus objetivos. Explora a força de trabalho local com promessas de melhores condições de vida, usa o rostinho bonito de seu filho adotivo para passar a impressão de que conduz um negócio familiar, entre outras artimanhas.

A atuação de Daniel Day-Lewis é impecável, mas ele não está sozinho. É quando Plainview se depara com Eli Sunday (Paul Dano) que se inicia o conflito crucial de Sangue Negro. Paul Dano (de Pequena Miss Sunshine) interpreta um jovem religioso que prega na Igreja da comunidade local, em Little Boston. Plainview é atraído até lá após receber a informação de Paul Sunday, irmão gêmeo errante de Eli, de que as terras podem conter petróleo em abundância. Logo, o prospector descobre que a informação é verossímil e se vê forçado a negociar as terras da família Sunday com o próprio Eli. A partir daí começa o conflito épico baseado na dualidade religiosidade/materialismo.

Apesar de posturas e prioridades completamente diferentes, Eli e Plainview compartilham uma característica em comum: a ambição. Exatamente por esse motivo, apesar da animosidade recíproca, os dois personagens são impelidos a se relacionarem, cada qual visando sempre os próprios interesses. Toda cena em que Daniel Day-Lewis e Paul Dano aparecem juntos é genial. Impossível não se impressionar com as duas brilhantes atuações.

Apesar de o excelente desfecho permanecer uma incógnita até o último instante da película – quando o próprio Plainview anuncia: I’m finished – algumas coisas são certas: haverá ganância, haverá vingança e haverá sangue… Sangue Negro!

13
fev
09

Clipes feitos por fãs mantém viva a memória do Mr. Bungle

por Fabrício Behrmann

A bizarra banda californiana Mr. Bungle já não existe há 4 anos. Mas seu som experimental marcado por misturas inusitadas (rock, ska, jazz, heavy metal…) e os excelentes vocais do eclético Mike Patton (das bandas Faith No More, Tomahawk e Fantômas) ainda é lembrado pelos fãs saudosamente.

De certa forma o Mr. Bungle continua vivo. Uma prova disso são os – relativamente recentes – vídeos feitos por fãs e lançados no youtube. Os clipes de Pink Cigarette, Retrovertigo e Gollem II: The Bionic Vapour Boy feitos pela Untouched Productions (projeto de Thomas Kanschat) têm uma qualidade impressionante. Apesar de serem fan made, poderiam ser facilmente confundidos com clipes oficiais. Aliás, os três vídeos citados chegam a ser muito superiores a diversos videoclipes que vemos por aí. Sem falar que os vídeos concebidos por Kanschat captam perfeitamente a essência da banda e das letras das músicas selecionadas. Além de contar com atores competentes e bons roteiros, o bom-humor também está presente.

Outro clipe que se destaca é o da música Goodbye Sober Day. Apesar de não ser uma produção original – como os outros três vídeos mencionados acima – é uma montagem extremamente criativa. O clipe utiliza cenas do belíssimo documentário Baraka. O modo como cada um dos trechos escolhidos se encaixa perfeitamente com a música é realmente impressionante.

Os vídeo da Untouched Productions estão disponíveis em alta resolução no site oficial da produtora.




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