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“Toco em Jaçanããã…”

A idéia era boa: um showzinho à pampa, numa feirinha de artesanato, numa pracinha maneira dum bairrinho simpático.

Elementos:

Um showzinho à pampa – como o Kauê estava viajando, optamos por fazer um set curto e acústico. Voz, baixo e 2 violões apenas.
Feirinha de artesanato – Segundo palavras do organizador: “No dia 26 de abril, na Praça Dr. João Batista Vasques (Praça do Jaçanã) terá o “Caldeirão Cultural – Feira de Artes e Artesanato”. No Caldeirão Cultural o público encontrará produtos acessíveis e exclusivos dos expositores de diversos segmentos como Artesanato, Artes Plásticas, Design & Decoração, Moda & Beleza, contando com Praça de Alimentação, Atrações Literárias, Atrações Musicais, Prestação de Serviços… e muito mais.”
Pracinha maneira – a supracitada Praça Dr. João Batista Vasques, popularmente conhecida como Praça do Jaçanã. Ampla e arborizada. Uma praça.
Bairrinho simpático – sim, o Jaçanã. Para maiores detalhes consulte o site da prefeitura, o Wikipédia ou, a fonte mais citada, Adoniran Barbosa. Ou também vá até lá, fica bem perto da fronteira (?!) com Guarulhos.

Mas havia 2 equívocos. O primeiro se dava pelo fato da data e do horário que tocaríamos: dia da final do campeonato paulista, horário do jogo. Tudo bem que era apenas o primeiro jogo da final, mas falamos de Brasil…

E por falarmos justamente de Brasil, que reside o segundo equívoco. Vivemos num país que nunca foi notabilizado por seu vigor (ou mesmo grande interesse) pela cultura – na verdade, creio que 90% dos brasileiros sequer sabe o significado dessa palavra… E, isso que é, ao que tudo indica, um traço da nossa cultura, parece ter chegado no final da primeira década do século XXI ao seu ponto alto. Vivemos numa sociedade que trata a cultura (e, consequentemente, a arte) de duas formas bem distintas:

1 – os que acreditam sinceramente na arte como expressão e produto da cultura, e estes costumam colher seguidos fracassos de público e poucas notas da crítica. São pessoas boas que acreditam em algo que, se algum dia existiu, hoje não existe mais: interesse popular pela arte.
2 – os prostitutos da arte, que são quem costumam colher o sucesso de público e alguma atenção da crítica. São pessoas/artistas, em geral, fabricadas pela mídia, que abandonam muito do que acreditam para conseguir entrar no que o showbiz chama (e sustenta) de arte. Considero prostitutos, não fazendo juízo de valor da obra desses artistas nem tampouco de suas respectivas condutas, e sim por se venderem às vontades, sobretudo, de grandes corporações, ou aos gostos populares da época.

Ainda hei de me expressar mais acerca dessas questões em posts futuros… Toquei nesse assunto porque vimos exatamente o encontro desses dois grupos, domingo, no Jaçanã. De um lado a organização e os artistas que se apresentaram, apostando na manifestação artística como modo de reunir as pessoas (kkkkk… não chega a ser engraçado até?). Do outro, artesãos/vendedores e consumidores (que eram a massa crítica do evento) que pareciam estar apenas ansiosos para comercializarem (uns comprando e outros vendendo) e abandonarem a praça pública o mais rápido possível. E foi de fato isso o que aconteceu: ao cair da tarde os consumidores pareciam baratas, ansiosas a voltarem para seus buracos (casas) e vendedores, ignorando as bandas que nos precediam, recolhiam suas tralhas e, com a mesma fobia de praça pública e de arte, iam embora. Enfim, tudo bem cômico.

Enquanto a tragédia artística brasileira protagonizada pelo grupo 2 (prostitutos) se desenrolava ali na nossa frente, também na nossa frente, remanescentes do grupo 1 ignoravam o grupo 2, a continuavam suas apresentações com um curioso entusiasmo. Rolou uma roda, que terminou numa ciranda coletiva (?!); e uma banda (que me perdoem, mas esqueci o nome) de uma galera já rodada ali da Zona Norte que tocaram um som próprio – e mais um cover do Talking Heads e outro do Raul Seixas.

E, como era esperado, pela junção de fatores, o público que nos aguardava não era dos mais numerosos. E, como muitas vezes é sintomático dos eventos organizados pelos representantes do grupo 1, “tava tudo atrasado”, e tivemos que reduzir nosso set.

Diante do quadro de foda-se que paira sobre a nação, e da graça das reflexões e dos fatos, subimos no palco. Diga-se de passagem, um palco bem legal, e com um som ótimo (ao menos melhor que o do show do Elton John…)! Tocamos por uns 10 minutos, mas que, curiosamente, foram excelentes! Especialmente porque o púbico – que era bem diminuto – correspondia, e, um fato que é sempre confortante, nós fomos atraindo gente. De mendigos a transeuntes, o mini-show terminou com mais gente do que começou. Good.

Enfim, não foi como esperávamos (nem por um instante), mas foi legal. Um grande agradecimento à organização, sobretudo ao Marcelo Goodhead, que foi muito gente boa com a gente e pareceu ser O cara por trás de todo o evento. E mais agradecimentos ainda à galera que tava lá: Sandra, Juliana, demais artistas e galera em geral. Valeu!

Ps: Só não agradecemos o desgraçado que mudou o nome da praça do simplório e eficiente “do Jaçanã” para o totalmente desconhecido “Dr. João Batista Vasques”. Graças a esse capeta, eu e o Rafael andamos uns 2 km à toa, visto que, como ninguém conhecia a praça que procurávamos (pelo nome “correto“), as informações eram desencontradas – nota: no próximo show, ver mapa da região antes…

Set list

Vê Se Me Esquece
Daniel Na Cova Dos Leões – Legião Urbana
“Nada”/Trem Das Onze – Adoniran Barbosa


2 Responses to ““Toco em Jaçanããã…””


  1. maio 6, 2009 às 4:50 pm

    Nossa senhora, heinnnnn ATÉ CANSEI DE LER O SEU TEXTO RS.

    Puts….. é assim mesmo. Ocorre um fenômeno, sabe-se lá porque, mas enquanto vocês viverem no anonimato, muitos, repito MUITOSSSSSSSSS, dos shows serão assim. Com pouco público e na maior zona. Mas agora, quando o sucesso chegar e vocês se tornarem os queridinhos do momento, as pessoas enloquecerão ao ponto de pagar uma facada para assistí-los. Fora isso, elas também farão loucuras para conseguir tocar, falar ou agarrar um de vocês. É meu amigo….. rapadura é doce mas não é mole, não.

  2. maio 6, 2009 às 5:29 pm

    Ah vá, o texto não está tão grande assim… rsrs
    Mesmo assim, obrigado pelo post Re. E mais ainda pelo futuro promissor que você projeta! kkkkk
    Não vejo a hora dessa p* de rapadura ficar mole…
    Enqto isso, vamos nos judiando os dentes com a dura mesmo… rsrs


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