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fev
09

Quase Famosos

por Iza Prado

Quase Famosos - poster
Quase Famosos (com o título original Almost Famous) chegou aos cinemas brasileiros em Março de 2001 e apresentou muito mais que um retrato do rock no começo da década de 70. Com personagens cativantes e ótimas atuações, o filme fala sobre a mágica que a música exerce sobre todos nós, como ela nos une e o quanto ela faz parte de nossas vidas.

Este filme conta a história do amadurecimento de William Miller (o alterego de Cameron Crowe – o diretor da produção), um garoto que teve a vida transformada pelos álbuns de rock que sua irmã deixou quando foi embora de casa.

Estamos em 1973 e William Miller/Cameron Crowe tem 15 anos. O rock manda no cenário pop. David Bowie é um mito. Lou Reed largou o Velvet Underground e começa a se aventurar solo. Neil Young abandonou o Buffalo Springfield para dedicar-se também a carreira solo e brincar de superbanda com os amigos David Crosby, Stephen Stills e Graham Nash. Os Beatles acabaram, mas iniciaram carreiras solo.

Imagine Black Sabbath, The Who, Led Zeppelin, Pink Floyd no ápice, lançando álbuns clássicos. Como se dizia, deuses andavam sobre a Terra. O garoto rascunhava textos sobre música e publicava em um jornalzinho de San Diego, até conhecer Lester Bangs.

Lester Bangs era o editor da Cream Magazine e aparece como mentor do garoto. Duas palavras dele já exemplificam sua personalidade: ao escrever sobre uma banda seja “honesto e impiedoso”. Além disso, oferece os conselhos de praxe para aqueles que começam a se aventurar no mundo musical: “as bandas irão te usar, irão te apresentar garotas, irão te dar drogas, tudo para que você fale bem delas”.

Nesse meio tempo, o jovem é surpreendido por um telefonema. Ben Fong-Torres (o mais famoso editor da mais famosa revista pop de todos os tempos) quer uma matéria dele sobre alguma banda nova. A pauta da matéria é acertada via telefone, o que impossibilita ao editor saber que está colocando um garoto de 15 anos no famigerado mundo de “sexo, drogas e rock and roll” com uma nova banda, a Stillwater, para desespero de sua mãe.

O grande problema é, como fica provado depois, que William é doce demais para o rock. E se apaixona logo pela garota mais bonita dos embalos, Penny Lane, groupie misteriosa que acompanha bandas, mas que na verdade ama o guitarrista da Stillwater. A partir desse momento tudo começa a girar em torno desse romance e mesmo um rock star aprende que desculpas são necessárias, sempre.

Tema da primeira matéria de William para a Rolling Stone, a fictícia banda Stillwater e sua trajetória no filme são, na verdade, uma mistura do que Cameron Crowe viveu ao lado de Led Zeppelin, The Eagles e The Who, entre outras, durante os primeiros anos da década de 70.

No filme, louco depois de ter tomado LSD em uma festa, o guitarrista sobe no telhado de uma casa e grita “Eu sou um deus dourado”. Na vida real, a frase teria sido dita pelo vocalista do Led Zeppelin, Robert Plant, no topo de um hotel em Los Angeles.

Em outra cena, uma forte tempestade faz o avião em que o Stillwater está viajando enfrentar sérios problemas. Achando que ninguém fosse sobreviver, os integrantes começam a falar sobre seu passado, revelando segredos. Isso aconteceu de verdade com o pessoal do The Who, quando excursionavam pelos EUA em um avião. Cameron Crowe seguia a banda para uma matéria.

Apesar de tratar de um período conturbado na história do rock, Quase Famosos não é um filme forte. Nada de drogas pesadas usadas pelos roqueiros, de conflitos tempestuosos, da depressão por se estar na estrada tocando pelos mais estranhos cantos dos EUA. Esta é uma produção divertida, sentimental, leve e muito gostosa de assistir. É a mistura perfeita entre sátira e melodrama, típica das boas histórias para adolescente filmadas na década de 80.

A trilha sonora é um capítulo à parte nesta produção cinematográfica. Recheado com o que de melhor se produziu no rock n’ roll daquela época, o disco conta com nomes como The Who, Yes, The Seeds, David Bowie, Simon & Garfunkel, The Beach Boys e Led Zeppelin, entre outros.

Mas, talvez a música que consiga representar de maneira mais completa o significado deste misticismo todo é Tiny Dancer, de Elton John, tema escolhido para uma das cenas mais antológicas do cinema, dentro do ônibus da banda. É impressionante a aura fantástica e dolorida que a música passa a possuir depois de embalar uma cantoria desenfreada dentro do ônibus da banda Stillwater.

Simplesmente genial!

Quase FamososWilliam Miller: I have to go home.
Penny Lane: You are home.


4 Responses to “Quase Famosos”


  1. fevereiro 12, 2009 às 8:00 am

    A cena do ônibus já é clássica!!! Eu não consigo mais ouvir “Tiny Dancer” sem lembrar dela..rs. Mt bom esse filme, do começo ao fim.

  2. fevereiro 12, 2009 às 10:00 am

    É, eu já supunha que teria q assitir esse filme… agora estou convencido… rsrs

  3. 3 JuniorMatos
    abril 17, 2010 às 5:34 pm

    Gostaria de te convidar para partipar de uma rede de conteúdo, caso tenha interesse me adiciona no msn smatosjr@gmail.com ou me manda um email. Abs, Matos.


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