Arquivo para fevereiro \27\UTC 2009

27
fev
09

Uma história qualquer

por Iza Prado

passion

That was just a dream…

Esta história tinha todos os elementos para ter um final feliz, mas isso não aconteceu. Ele descobriu que preferia viver a vida mundana de sempre e ela se tornou uma grande executiva internacional. O que todos esperavam não se concretizou e o único culpado foi o medo mútuo do amor verdadeiro.

Ela nasceu numa família de classe média. Cresceu num pequeno apartamento da capital e dividia as horas cotidianas com sua irmã mais velha. Ele não era o filho único, mas era tratado com tal. Vinha de uma família tradicional. Cresceu numa casa do subúrbio que ocupava um quarteirão inteiro. Nunca soube o que era ter um amigo verdadeiro – suas relações eram fúteis.

Duas vidas totalmente diferentes se encontraram por uma brincadeira do acaso. Numa tempestade de verão, em plena Avenida Paulista , abrigaram-se embaixo do mesmo toldo. Trocaram olhares, conversaram sobre amenidades e dividiram uma mesa durante o café-expresso. Não tinham interesses em comum, mas se encantaram pela situação.

Saíram durantes meses e logo se diziam apaixonados. Promessas de amor eterno eram jogadas ao vento e o mundo acompanhava aquele frenético sentimento. A pureza dos atos se transformava em lembranças inesquecíveis e nada poderia dar errado, eram felizes e completos. Doce ilusão!

Os anos passaram e tudo mudou. Ela estudava cada vez mais e o talento finalmente foi reconhecido – conseguiu um ótimo emprego. Ele desistiu da carreira profissional e passou a viver da alta mesada paterna. Os universos pessoais se distanciavam cada vez mais e já não se entendiam. O destino separou o que o acaso juntou.

Nunca mais se viram, nunca mais se olharam, nunca mais conversaram, nunca mais se amaram, nunca mais se completaram. Queimaram as cartas, rasgaram as fotos e fingiram que aquilo tudo não aconteceu.

Eram almas gêmeas que não percebiam isso. Deixaram a verdadeira felicidade escapar e não fizeram nada para evitar. Perderam a única chance que a vida lhes proporcionou. Encararam a mediocridade humana como o patamar máximo de realização pessoal e se contentaram. Ignorantes!

Covardes e fracos, eles não sabiam amar!

26
fev
09

Não tem post novo!

Buenas pessoas!

Como vocês podem ter percebido, ontem não teve texto novo por aqui. Então vim dar uma justificativa.

Minha internet tava uma merda ontem à noite!!! A única coisa que consegui ver foi meus e-mails!

Bem, é isso. Hoje à noite tem show da Katarse e Claustrofonia no Centro Culrutal! É imperdível! E depois do show tem mais texto novo aqui no blog!

Abraços efusivos!

 

Atualização, 10h30: Descobri por que a internet tava ruim! Malditos sejam!

24
fev
09

De volta do Paraíso

por Renata de Sá

Tempo de carnaval é sempre uma festa. Aqui para os paulistas, é só mais um feriado, no qual, todos, ou pelo menos, grande parte da população, irá enfrentar algumas horas (diga-se de passagem….. muitas horas) no trânsito, para conseguir chegar ao litoral.

A cidade de São Paulo não está nem tão cheia, mas nem tão vazia. Digo na média para uma terça-feira qualquer. Na rua, pouco ou nenhum resquício da folia carnavalesca é avistada. A não ser pelos clubes de bairros que organizam os tradicionais bailes de carnaval.

Acabei de voltar do Rio de Janeiro – terra do samba e do carnaval. Para os cariocas o carnaval não é apenas um feriado, mas sim um acontecimento. Nos quatro cantos da cidade, em qualquer esquina, podiam-se encontrar grupos de pessoas fantasiados. Eles tomaram conta da cidade, dos metrôs, das linhas de ônibus, dos táxis – no RJ é muito barato – e também das praias.

Eu que não estava nem mascarada, nem fantasiada e muito menos correndo atrás de um bloco de rua, podia ser considerada quase um ET. Presenciei um momento único no RJ. Na fila para pegar o metrô na superfície – sim, sim… eles têm isso – encontramos diversos grupos, cada um no seu estilo de fantasia, esperando para subir a bordo do ônibus-metrô. Ao final do embarque, o metrô estava tomado por marchinhas resgatadas de um passado não muito distante, mas que ainda é capaz de fazer, até mesmo, a ET paulistana entrar no ritmo.

Para não perder nada gravamos a movimentação e toda diversão de um lugar que pode ser considerado o paraíso na terra.

23
fev
09

Todo o encanto de Os Sonhadores

por Iza Prado

Os Sonhadores - Pôster
Paris em maio de 1968. É esse tumultuado cenário político que o cineasta Bernardo Bertolucci utiliza como pano de fundo para Os Sonhadores (The Dreamers, 2003). O filme conta, sem pudor algum, a história de três jovens que se vêem atraídos por uma única paixão: o cinema.

Baseado no livro homônimo de Gilbert Adair que assina o roteiro, Matthew (Michael Pitt) é um estudante americano, em um programa de intercâmbio em Paris. Apaixonado por cinema, ele freqüenta assiduamente a Cinemateca Francesa. Mas essa é a época que explodem revoltas estudantis por toda a Europa. Um dia, ao retornar à Cinemateca, ele encontra uma manifestação no local. É nessa situação que ele conhece os irmãos gêmeos Isabelle (Eva Green) – uma garota com falsa inocência, sedutora, mas ainda assim frágil – e Théo (Louis Garrel) – um jovem idealista misterioso, com ar ameaçador. Os três, por nutrirem uma mesma paixão, acabam se aproximando rapidamente.

Dessa maneira, os três se envolvem mais profundamente justamente pelo cinema, conteúdo de seus jogos de adivinhação, e formam um triângulo amoroso. Essa relação funciona como uma metáfora, para Bertolucci, discutir as influências das mudanças e a dualidade entre a necessidade versus a vontade de crescer. Afinal, os personagens precisam encarar suas próprias crenças e isso não só os definirá, como determinará o mundo à sua volta.

O sexo também ocupa lugar central na trama. A exploração do nu e as cenas que remetem às relações sexuais, inicialmente, podem chocar, mas exprimem um realismo sem tabu. A sexualidade surge como se fosse uma brincadeira de criança, sem maldade ou perversão, evolução natural dos jogos infantis, bombardeados de hormônios em ebulição. E todos agem como se estivessem interpretando, na tentativa de alcançar a atitude de seus ídolos.

Com todos esses elementos, o diretor criou um filme poético, sem pressa de chegar a algum lugar e sem a preocupação de contar uma história redonda, apenas extraindo imagens de uma beleza hipnótica. Os enquadramentos são coloridos e criativos e a montagem é inteira dinâmica. Esse ritmo da história até pode incomodar a alguns, principalmente quando se aproxima o final. Às vezes, fica a impressão que Bertolucci não sabe o que fazer com tanta coisa junta no mesmo filme, mas o diretor não decepciona.

Os Sonhadores pode ser considerado como um sonho quase perfeito que transporta o espectador para uma outra época, em um tempo distante, quase perdido. É a Paris de 1968 vista de dentro de um quarto – com as janelas fechadas e o som ligado – através dos olhos, pés, seios, coxas, membros e bocas de três jovens belos e inocentes que consomem mais vinho do que água.

É um filme estiloso, nostálgico, sensual e imperdível.

Os Sonhadores

“As we walked, we talked and talked and talked about politics, about movies, and about why the French could never come close to producing a good rock band”

22
fev
09

Nietzsche, o filósofo pop

por Fabrício Behrmann

Hello Nietzsche

“Há homens que nascem póstumos”. Com essa frase o filósofo alemão pretendia deixar bem claro que sua obra não era destinada ao seu tempo, mas sim a um tempo futuro. E quem diria: o bigodudo estava certo.

Atualmente uma legião de adolescentes revoltados têm se tornado “seguidores” da filosofia nietzscheana. Isso deve-se ao fato de muitos jovens acabarem se identificando com a obra do autor, sua solidão e seu desprezo pela humanidade. “Não quero ‘crentes’; acredito que sou demasiado mau para crer em mim mesmo; eu nunca falo às massas… Tenho grande medo de ser, algum dia, santificado”. Nietzsche deve estar se revirando no caixão a essa altura. Realmente o autor não foi santificado, mas de alguma forma o carrancudo filósofo se tornou praticamente um ícone da cultura pop.

Em sua autobiografia – Ecce Homo – o filósofo escreveu: “desse modo compreenderão por que eu publico antes esse livro: deve ele evitar que se abuse do meu nome”. Na verdade o que temos visto ultimamente é bem o contrário do que pretendia o autor. Em diversas produções hollywoodianas figuram citações ou menções ao nome do filósofo: em Gênio Indomável (1997), Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (2004) e A Casa do Lago (2006).

Mas dentre todas as participações de Nietzsche no cinema, sem dúvida a melhor está em Pequena Miss Sunshine (2006). O filme é uma comédia com elementos de drama – considerado um road movie –, mas de certa forma contém uma crítica contundente e bem-humorada com relação ao “modismo” da filosofia nietzscheana. Em Pequena Miss Sunshine o talentoso Paul Dano (de Sangue Negro) interpreta Dwayne, um garoto que sonha entrar para a aeronáutica e ser piloto de aviões. O jovem também é um “seguidor” do filósofo alemão, tem inclusive uma grande bandeira com o rosto de Nietzsche em seu quarto e aparece em várias cenas usando uma camiseta com a frase: Jesus was wrong. Dwayne fez voto de silêncio até que consiga realizar seu objetivo e comunica-se com sua família apenas através de um pequeno bloco de notas que carrega consigo. Em certo ponto do filme Dwayne escreve para seu tio homossexual: I Hate Everyone. O personagem de Paul Dano é sem dúvida um retrato bem satirizado dos atuais admiradores juvenis de Nietzsche.

Além das menções hollywoodianas, o filósofo tornou-se sinônimo de grande possibilidade de lucro. O nome de Nietzsche figura em várias capas de revistas especializadas em Filosofia, como a Discutindo Filosofia e a Ciência & Vida Filosofia. O bigodudo foi até capa da edição n° 19 desta última, sendo reproduzido em forma de charge.

Nietzsche fez uma ponta até no mundo dos games. Os capítulos da famigerada trilogia de RPGs da Namco, Xenosaga, ganharam nomes que nos remetem imediatamente ao filósofo. Episode I: Der Wille zur Macht (A Vontade de Potência), Episode II: Jenseits von Gut und Bose (Além do Bem e do Mal) e Episode III: Also Sprach Zarathustra (Assim Falou Zaratustra). Ao menos, o jogo é considerado por muitos um dos mais filosóficos já feitos.

E as menções ao famoso alemão em produtos da indústria cultural da Terra do Sol Nascente não terminam por aí. O animê shonen-ai (gênero que retrata relações românticas entre homens) Loveless faz referência a filosofia nietzscheana. O personagem principal do animê em questão – Ritsuka, um garoto de 12 anos – é um admirador do bigodudo.

Outra aparição inusitada de Nietzsche é no famoso vídeo Dance Monkeys Dance de Ernest Cline. A montagem traz uma reflexão muito interessante sobre a condição humana. E também sobre o modismo com que vem sendo tratada a filosofia nietzscheana.

Vale lembrar que o filósofo alemão apareceu como personagem central do romance Quando Nietzsche Chorou (1992), de Irvin D. Yalom. O livro rapidamente se tornou um best-seller e em 2007 rendeu um filme de qualidade duvidosa, pra dizer o mínimo. É possível que o sucesso do romance tenha desencadeado toda essa superexposição. Todos os livros de Yalom, em suas versões nacionais, contêm em sua capa a atraente propaganda: “Do mesmo autor de Quando Nietzsche Chorou”.

Segundo o post sobre o Marilyn Manson (dia 20 de fevereiro) – da nossa companheira Iza Prado – até mesmo o excêntrico cantor se interessa pelo bigodudo! E como se tudo isso não bastasse, agora o nome de Nietzsche figura no título de um post no Blog do Mercúrio Cromo… “Agora vos mando que me percais e vos encontreis a vós mesmos; e só quando todos me houverdes renegado, tornarei para vós”, Assim Falou Zaratustra.

20
fev
09

Conhecendo Mr. Manson?!

Marilyn MansonUm pouco da história do ex-jornalista, que se considera anticristo e é um dos padres da Igreja Satânica.

por Iza Prado

Marilyn Manson, que possui um pseudônimo inspirado em dois grandes ícones dos anos 60: a atriz Marilyn Monroe e o maníaco Charles Manson, nasceu em Canton – Ohio, no dia 05 de Janeiro de 1969. Batizado com o nome de Brian Warner, o cantor sofreu vários traumas durante a sua infância.

Sofreu abuso sexual por parte de um vizinho aos 8 anos, apanhava constantemente dos colegas na escola por ser muito magro e, ainda, sofria com a dura educação de sua família, principalmente com o avô – pessoa mais má que conheceu. “Um pervertido sexual”, afirmou durante várias entrevistas.

Por sempre ter estudado em colégios de elite e religiosos, Mr. Manson – como costuma ser chamado – cresceu revoltado e, quando adolescente, passou a usar blush e batom da mãe, além de uma máscara de Halloween. Segundo ele, culpa de tal comportamento é do cristianismo que impede que as pessoas sejam diferentes. Usar maquiagem foi a maneira que ele encontrou para ser diferente.

Formou-se jornalista por gostar de escrever poemas e crônicas, mas logo seu desgosto pela sociedade norte-americana aumentou e resolveu desafiá-la através de shows em que instrumentos eram queimados em meio a garotas enjauladas e ao som de frases do tipo “Matem Deus” e “Diversão Anal”.

Inicialmente com a banda Marilyn Manson And The Spooky Kids, que anos depois perdeu a segunda parte do nome para facilitar a divulgação, Mr. Manson  ganhou vários Slammies (prêmios para bandas da Flórida) em sucessivos anos e conquistou legião de adolescentes ao redor do mundo.

Grande parte de seu marketing pessoal está ligado ao fato de ser polêmico – satanista e anticristo assumido, e utiliza isso aplicado às letras, shows e declarações à imprensa como: “Digamos que sou o tipo de pessoa que carrega um monte de canudos, mas jamais toma milk-shake”, afirmou sobre o uso de drogas.

Convidado pelo Dr. Anton Szandor La Vey , fundador da igreja de Satã, para um cargo de padre, passou a denominar-se Reverend Marilyn Manson e chocou a todos ao declarar: “De fato, sou um padre da Igreja de Satã. Todo mundo tem que ter um demônio dentro de si. Foi o demônio que conseguiu manter o cristianismo em pé por tanto tempo. Você não tem um sem o outro. Eu quero mostrar às pessoas os dois lados, é como Marilyn e Manson”.

E continua: “O Satanismo é uma filosofia que me fascina, é a maior rebelião contra a ordem e Deus. Mas também me interesso por Nietzche, Freud, o fim do mundo e outras filosofias. O satanismo é normalmente percebido como a adoração do diabo. Na realidade, o satanismo é a obliteração do cristianismo, que objetiva controlar as pessoas. Elas, enfim, podem escolher viver com suas próprias forças internas”.

Surpreendentemente, ele se diz tímido, mas que é do tipo que diz o que pensa. Considera-se rebelde e confessa não existir mais diferença entre o Manson dos palcos e a pessoa que existe fora dela. A única coisa que muda, segundo ele, é a maneira de se vestir.

19
fev
09

Desejos

por Fabiana Rainha

Como dizer o que é certo ou errado ao nosso corpo, quando ele deseja?

A nossa mente pode até saber distinguir o que a humanidade dita como regra, mas ele, o corpo, não se rebaixa às ordens da sociedade.

O desejo fala mais alto. Berra!

Quando meus olhos se encontram com outros olhos, ávidos de paixão, não querem saber se esses são brancos ou negros.

Quando minha pele toca a pele dessa pessoa, não sente se é magra ou gorda, baixa ou alta, sente somente o calor do contato.

Quando meu nariz capta o cheiro que emana dos póros, não sabe dizer se o aroma é quieto ou extrovertido, o que sente exalar é somente o querer.

Quando meus ouvidos ouvem aquela voz não compreendem nela se há dinheiro ou educação, mas sim o som da aproximação. Respiração ofegante.

Minha boca se une à outra boca, toque suave de lábios, levemente umedecidos, logo esfomeados, explorando cada ponto, línguas que se enroscam como uma única. E nesse momento, não posso dizer se o gosto é masculino ou feminino, pois o único que sinto é o de nunca mais separar e o de desejar cada vez mais!




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