“Somos donos de nossos atos,
mas não donos de nossos sentimentos;
Somos culpados pelo que fazemos,
mas não somos culpados pelo que sentimos;
Podemos prometer atos,
mas não podemos prometer sentimentos…
Atos são pássaros engailoados,
sentimentos são passaros em vôo”
Mário Quintana

por Iza Prado
Sabe o porquê de existirem poucas pessoas sentimentais no mundo atual?
Segundo o jornalista, filósofo e ensaísta alemão Günther Anders, a resposta é simples e fácil: o mundo passou a ser uma representação que nos é entregue em domicílio. Logo, todos os sentimentos passam a ser descartados, pois não há necessidade de sentir por algo que é só uma representação, apenas uma simples aparência.
Desta forma, quem continua a ser sentimental diante destas representações entregue em domicílio passa a ser considerado um estranho, o diferente, basicamente um dinossauro. E, assim, ou esta pessoa se torna um reprimido – que usa a internet e a ficção para se libertar das amarras sociais – ou, então, aprende a descartar também seus sentimentos para se encaixar nesta sociedade que não sabe mais lidar com as questões sentimentais.
É triste, uma hipótese bem pessimista, mas que, para mim, se torna cada dia mais assertiva e verdadeira conforme entro neste louco universo da comunicação e da filosofia midiática!
Importante ressaltar também o mundo das representações propicia a repetição e a repetição excessiva gera um enfraquecimento do objeto – neste caso em específico, o mundo e as relações sociais. Ou seja, vemos uma repetição de representações e, no fundo, nos contentamos com isto, descartamos sentimentos – como compaixão e piedade – e vivemos satisfeitos com aquilo que nos é entregue e mastigado pelos ambientes comunicacionais.
E eu só fico a me perguntar: será que NÃO é hora de mudar isso? Será que não é o momento de começar a expressar os verdadeiros sentimentos? Será que não precisamos aprender a sentir de novo? Será que não precisamos voltar a usar o corpo para nos comunicar, cortando assim todas as intermediações e aparatos?
Enfim, apenas reflexões de uma pós-graduanda da Comunicação e Semiótica!
